As constantes quedas no fornecimento de energia elétrica e a falta de respostas das concessionárias para resolver os problemas vêm causando prejuízos ao setor rural. Diante desse cenário, gestores municipais, vereadores, produtores rurais e moradores participaram de audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), na tarde desta quarta-feira (25), para discutir a necessidade de ampliação do atendimento presencial aos consumidores no interior do Estado.
A audiência foi proposta pelo deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) e contou com a participação dos deputados Roberto Hashioka (União Brasil) e Renato Câmara (MDB); do secretário adjunto da Casa Civil, Éder Uilson França Lima; do deputado federal Beto Pereira (PSDB); do prefeito de Batayporã e diretor da Assomasul, Germino Roz; e do vereador de Campo Grande, Júnior Coringa (MDB), vice-presidente da União das Câmaras de Vereadores de Mato Grosso do Sul (UCV-MS).
Entre as propostas debatidas estão a ampliação das equipes de atendimento nos municípios do interior, o cumprimento dos prazos estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o restabelecimento do serviço, a criação de mecanismos de compensação ao consumidor em caso de demora e a revisão da prática de negativação e protesto em cartório por atrasos curtos no pagamento.
A ampliação do atendimento presencial foi um dos principais pontos levantados, diante da dificuldade de muitos consumidores do interior em acessar aplicativos e canais digitais para registrar reclamações.
O encontro também abordou os custos de expansão da rede elétrica, o modelo trifásico e os impactos da instabilidade no fornecimento para a população e o setor produtivo. Segundo Caravina, todas as demandas serão reunidas em relatório a ser encaminhado às concessionárias Energisa e Elektro, além da bancada federal.
O parlamentar também destacou a necessidade de cumprimento rigoroso da Resolução Normativa nº 1.000/2021 da Aneel, especialmente nos prazos para religação e restabelecimento do serviço.
“Quando o consumidor atrasa, há penalidades. Precisamos discutir também mecanismos de compensação quando os prazos não são cumpridos pela concessionária”, afirmou.
Outro ponto debatido foi a revisão das práticas de negativação e protesto em cartório em curto período de atraso, medida que tem gerado reclamações. A proposta é ampliar o diálogo com as concessionárias para buscar equilíbrio na relação com os consumidores.
Durante a audiência, o deputado federal Beto Pereira destacou que as falhas no fornecimento atingem principalmente a zona rural, comprometendo a produção e o desenvolvimento econômico.
O prefeito Germino Roz também relatou dificuldades enfrentadas pelos municípios, como a ausência de atendimento presencial e prejuízos com a perda de alimentos, medicamentos e produção durante períodos prolongados sem energia.
Já o vereador Júnior Coringa criticou a negativação de consumidores por atraso no pagamento.
“Isso é um absurdo. A inclusão em órgãos de proteção ao crédito e o protesto em cartório geram custos elevados e prejuízos desproporcionais à população”, afirmou.
Impactos no setor produtivo
O coordenador técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Lucas Galvan, alertou que a instabilidade no fornecimento de energia compromete o desenvolvimento do setor produtivo.
Segundo ele, a falta de investimentos na expansão da rede elétrica tem limitado o crescimento da produção rural e afastado novos empreendimentos.
Galvan destacou que o Estado possui cerca de 4 milhões de hectares com potencial para irrigação, mas apenas 300 mil hectares são utilizados atualmente, tendo como principal limitador a disponibilidade de energia elétrica.
Ele também citou dados da Aneel que apontam crescimento de 8% na rede da Energisa e 5% da Elektro entre 2016 e 2024, índices considerados baixos diante do aumento da demanda.
Reclamações
Durante a audiência, o diretor executivo do Procon-MS, Ângelo Motti, apresentou dados sobre reclamações contra a Energisa.
Em 2025, foram registradas 536 reclamações, sendo 43 relacionadas à oscilação e má qualidade do serviço. Em 2026, até o momento, são 109 registros, com 13 referentes aos mesmos problemas.
Entre as principais demandas estão danos a equipamentos elétricos, interrupções frequentes e falhas no fornecimento.
Motti destacou ainda que a ausência de atendimento presencial em algumas cidades, substituído por totens digitais, dificulta o acesso de consumidores, principalmente idosos.
Posição da concessionária
Representando a Energisa, o gerente comercial Arthur Gandra destacou os investimentos realizados pela empresa no Estado.
Segundo ele, nos últimos cinco anos foram investidos cerca de R$ 6,7 bilhões, com média anual de R$ 1,35 bilhão, destinados à ampliação da rede, modernização e melhoria do sistema.
Gandra afirmou ainda que houve aumento de 50% na capacidade de atendimento na última década, além da expansão da infraestrutura, que atualmente soma 4.533 quilômetros de rede e 118 subestações.
Encaminhamentos
Ao final, o deputado Pedro Caravina destacou que a audiência marca o início de um trabalho contínuo.
“Nosso objetivo é construir soluções concretas, com diálogo e responsabilidade, para garantir um serviço de energia mais eficiente e de qualidade para todos os sul-mato-grossenses”, concluiu.
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