Inicia nesta quinta-feira (28), às 13h, o tradicional “Leite da Manhã”, promovido pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), com o objetivo de incentivar o consumo de produtos lácteos e seus derivados. A programação marca a abertura dos debates do IV Seminário Estadual do Leite e reúne produtores, empresários e representantes do setor para discutir melhorias na cadeia produtiva.
A pecuária leiteira está presente em 99% dos municípios brasileiros e é uma das principais atividades de pequenos e médios produtores. Mais da metade do leite produzido no país é oriundo de propriedades enquadradas na Lei nº 11.326/2006, que trata da agricultura familiar.
Em Mato Grosso do Sul, a cadeia leiteira reúne cerca de 12 mil produtores e mais de 80 laticínios, com produção concentrada nos polos Leste, Central e Sul do Estado. A atividade é predominantemente familiar e adaptada às condições climáticas da região, especialmente ao calor.
Durante o período de estiagem, produtores contam com o subprograma Extra Leite, integrante do Proape-MS, que bonifica em até 14% o volume de leite in natura produzido, conforme critérios de qualidade. O principal desafio do setor é reduzir o custo de produção, com uso de tecnologia sustentável e melhoria da competitividade.
Incentivos à cadeia produtiva
Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), Fernando Nascimento, diversas ações vêm sendo implementadas para apoiar o setor, como assistência técnica, organização da produção, implantação de resfriadores de leite, unidades de treinamento e distribuição de adubo orgânico.
“A produção de leite está diretamente ligada à agricultura familiar. Em visitas a assentamentos, identificamos dificuldades no período de seca e estamos levando tecnologia para ajudar os produtores a superar esse cenário”, afirmou.
Outro tema em debate no seminário é o crédito rural. De acordo com Nascimento, cerca de R$ 180 milhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foram disponibilizados na safra 2025/2026.
O produtor rural recebe atualmente entre R$ 1,80 e R$ 2,20 por litro de leite. Para o empresário do setor, Renato Gasparini, os incentivos fiscais ajudam a viabilizar a atividade, mesmo diante das dificuldades econômicas.
“Os incentivos fiscais e os programas de apoio ajudam a viabilizar as indústrias e aumentar a produção”, afirmou. Ele destacou, no entanto, que a logística ainda é o principal gargalo da cadeia. “A qualidade do leite é boa, mas a distância para coleta eleva o custo do frete e impacta o preço final”, disse.
O deputado Renato Câmara, propositor do evento, destacou avanços recentes no setor.
“Temos o Proleite, que saiu do papel e hoje é realidade. São ações concretas que valorizam o produtor e fortalecem a cadeia produtiva”, afirmou. Ele também citou melhorias nos incentivos fiscais como fator de competitividade.
O IV Seminário Estadual do Leite segue nesta sexta-feira (29), com o tema “O Futuro do Leite no MS: Produtividade, Saúde e Impacto dos Novos Hábitos Alimentares”.
Programação
Data: 28 de maio de 2026
Horário: 13h às 17h
Local: Plenário “Deputado Júlio Maia” – ALEMS
14h – 1º Painel
Plano Estadual – Proleite nos Programas de Melhoramento Genético e o Extra Leite
Palestrante: Orlando Serrou Camy Filho
14h40 – 2º Painel
“Do Campo à Clínica: O Papel do Leite na Nutrição Moderna e a Alta Demanda Proteica com o uso das Canetas Emagrecedoras”
Palestrante: Jean Vinícius Calado dos Anjos
15h30 – Debate
16h – Coffee break
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