A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, determinou o levantamento do sigilo absoluto do processo que investiga suposto esquema de fraude em contratos de tapa-buraco em Campo Grande. Com a decisão, os autos passam a ficar acessíveis também aos advogados dos investigados.
A magistrada também definiu o destino dos cerca de R$ 429 mil apreendidos durante a Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada na terça-feira (12). Parte do dinheiro, R$ 186 mil, foi encontrada na casa do ex-secretário municipal de Obras, Rudi Fiorese. Outros R$ 233 mil estavam no imóvel do pecuarista Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”.
Segundo o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), Peteca seria o verdadeiro responsável pela Construtora Rial, formalmente registrada em nome do filho dele, o engenheiro Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, e da esposa, Liene Gusmão Jacques Pedrosa.
Na decisão, a juíza determinou que os valores apreendidos sejam depositados em subconta judicial vinculada ao processo. Sobre a quantia encontrada em moeda estrangeira, a magistrada decidiu que o montante seja encaminhado à Caixa Econômica Federal para eventual conversão e posterior depósito judicial.
“Expeça-se guia para depósito em subconta vinculada ao feito, conforme pleiteado pelo Ministério Público”, escreveu a magistrada.
O Núcleo de Garantias acompanha o caso nesta fase inicial de investigação. Após eventual oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, o processo deverá ser remetido à vara competente para julgamento.
Entenda o caso
O ex-secretário municipal de Obras de Campo Grande, Rudi Fiorese, foi preso na manhã desta terça-feira (12) durante a Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para investigar suspeitas de fraudes em contratos de manutenção de vias públicas na Capital.
Durante o cumprimento dos mandados, investigadores encontraram cerca de R$ 186 mil em dinheiro vivo na residência de Rudi. Em outro imóvel ligado a um servidor investigado, foram apreendidos mais R$ 233 mil em espécie, totalizando pelo menos R$ 429 mil encontrados pela operação.
A ação foi coordenada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio do Gaeco, da Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital. Ao todo, foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão em Campo Grande.
Segundo o MPMS, a investigação identificou a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar sistematicamente contratos de tapa-buraco por meio da manipulação de medições e realização de pagamentos indevidos.
As apurações apontam que pagamentos públicos eram feitos sem correspondência com os serviços efetivamente executados, permitindo desvios de recursos públicos, enriquecimento ilícito dos envolvidos e prejuízos à qualidade das vias públicas da cidade.
Levantamento do Ministério Público indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113,7 milhões.
• Saiba mais sobre a Operação “Buraco Sem Fim”
Rudi Fiorese comandou a Secretaria Municipal de Obras entre 2017 e 2023, durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad. Desde o início deste ano, ocupava a presidência da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul). O Governo do Estado confirmou que ele será exonerado do cargo.
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