A Horta da Esperança, implantada no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira (CPAIG), em Campo Grande, tem se consolidado como um exemplo de ressocialização por meio do trabalho. Desde o início do projeto, mais de 27,3 toneladas de alimentos já foram produzidas e doadas a instituições sociais, beneficiando famílias em situação de vulnerabilidade.
A iniciativa envolve 15 reeducandos, que participam de todas as etapas da produção agrícola, desde o preparo do solo até a colheita. Durante o processo, eles recebem capacitação técnica e desenvolvem habilidades que podem facilitar a inserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena.
Criada a partir da preparação completa da área de cultivo, a horta conta com acompanhamento especializado desde sua implantação. Os participantes recebem orientações sobre planejamento da produção, manejo, irrigação, cultivo e colheita, garantindo maior produtividade e qualidade dos alimentos.
Atualmente, a produção reúne uma variedade de hortaliças e legumes, como alface, almeirão, brócolis, cebolinha, cenoura, coentro, couve, pepino, pimentão, repolho, rúcula e mandioca. Os alimentos são destinados a entidades sociais, fortalecendo ações de combate à insegurança alimentar.
Além da qualificação profissional, o trabalho proporciona benefícios previstos na Lei de Execução Penal. A cada três dias de atividade, os reeducandos têm direito à remição de um dia da pena, incentivando a participação e o comprometimento com o projeto.
Para o juiz da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, Albino Coimbra Neto, a assistência técnica foi decisiva para o crescimento da iniciativa. "O apoio técnico e os treinamentos trouxeram o conhecimento necessário para estruturar a produção e garantir a continuidade do projeto. Hoje, além de formar pessoas e gerar oportunidades para quem participa da horta, conseguimos levar alimentos de qualidade a quem mais precisa", afirmou.
O suporte técnico é oferecido pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Horticultura, do Senar/MS. Equipes especializadas realizam visitas periódicas ao presídio para orientar os participantes, acompanhar o desenvolvimento das lavouras e aperfeiçoar as técnicas de cultivo.
"O objetivo é unir conhecimento produtivo, gestão e desenvolvimento de habilidades, ampliando as oportunidades de reinserção social dos participantes", destacou o coordenador da ATeG do Senar/MS, Nivaldo Passos. A Horta da Esperança é resultado de uma parceria entre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e o Senar/MS, mostrando como iniciativas voltadas ao trabalho e à educação podem contribuir para a transformação social dentro do sistema prisional.
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