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Justiça Segunda-feira, 22 de Junho de 2026, 13:58 - A | A

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Facção Criminosa

Justiça mantém tornozeleira de acusado em sequestro da filha de líder do PCC

Réu teve pedido para revogar medidas cautelares negado; caso envolve tortura e extorsão ligada ao desaparecimento de US$ 100 mil

Elaine Oliveira
Capital News

A Justiça de Mato Grosso do Sul negou o pedido de revogação das medidas cautelares imposto a Reinaldo Silva de Farias, acusado de participação no sequestro da filha de Gerson Palermo, apontado como uma das principais lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital).

A decisão mantém, entre outras medidas, o monitoramento por tornozeleira eletrônica. Reinaldo chegou a ser preso após o crime, ocorrido em outubro de 2025, mas posteriormente obteve o direito de responder ao processo em liberdade mediante o cumprimento das cautelares.

A defesa solicitou a retirada das restrições, especialmente da monitoração eletrônica, mas o pedido foi rejeitado pelo Judiciário.

“Destarte, não havendo alteração fática a ensejar a revogação das medidas cautelares, especialmente de monitoração eletrônica, indefiro o pedido”, registra a decisão.

A segunda audiência de instrução e julgamento do caso foi realizada em 28 de maio deste ano.

O sequestro ocorreu em Campo Grande, quando a filha de Palermo, então com 25 anos, foi levada para um cativeiro na região das Moreninhas e submetida a tortura. A vítima foi resgatada por equipes do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) em 25 de outubro de 2025.

As investigações apontaram que a motivação do crime estaria relacionada ao desaparecimento de US$ 100 mil. Segundo a Polícia Civil, o dinheiro teria sido entregue por Palermo ao ex-sogro há cerca de dez anos para ser escondido em um cano de PVC enterrado em um imóvel.

O valor permaneceu guardado por aproximadamente uma década, até que Palermo exigiu a devolução da quantia. No entanto, ao procurar o local onde o dinheiro havia sido enterrado, o ex-sogro não encontrou mais os dólares.

Após ser informado sobre o desaparecimento da quantia, Palermo teria determinado o sequestro da própria filha como forma de pressionar familiares a devolverem o valor. A polícia apura que a jovem e seu marido foram usados como alvo de uma tentativa de extorsão.

As investigações do caso também contribuíram para localizar Palermo, que estava foragido desde abril de 2020. Ele foi preso pela Polícia Federal na Bolívia, em maio deste ano, onde vivia nas proximidades de Cotoca, cidade localizada a cerca de 19 quilômetros de Santa Cruz de la Sierra.

De acordo com as autoridades, o criminoso se apresentava como empresário do agronegócio. Após a captura, ele foi extraditado para o Brasil, passou por audiência de custódia em Campo Grande e acabou transferido para um presídio federal.

Condenado a 126 anos de prisão por diversos crimes, Palermo também responde judicialmente pelo sequestro da própria filha.

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