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Opinião Sexta-feira, 01 de Maio de 2020, 07:00 - A | A

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Opinião

Pandemia e mergulho digital

Por Coriolano Xavier*

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A pandemia forçou as pessoas e os negócios a irem mais fundo no ambiente digital, ampliando muito o uso de suas ferramentas. Um aplicativo que conecta caminhoneiros e embarcadores de carga, por exemplo, fechou março com aumento de 30% em sua demanda e vem mantendo o ritmo em abril. Ou seja, um conveniente casamento entre ferramenta online e necessidade de distanciamento social, até com a benção de cartão de descontos para compra de diesel.

Tatiana Ferro/Alphaville Empresarial

Coriolano Xavier - Artigo

Coriolano Xavier

 

Plataformas com marketplace para venda de insumos, com centenas de produtos ofertados, também experimentaram avanço em seus índices de buscas, relatando aumentos de pelo menos 10%. Procurou-se de tudo – de insumos a veículos, tratores e peças – e os operadores dessas verdadeiras lojas virtuais, que ainda representam pouco do setor, perceberam o clima favorável e enfeitam o bolo até com ferramentas de crédito, para impulsionar negócios.

No marketing dos insumos, o mergulho no digital foi intenso também. Com a suspensão das Feiras, as marcas recorreram a ferramentas de internet para construir novas pontes com o mercado. Em 2019, por exemplo, as seis maiores feiras da agricultura representaram perto de R$ 14 bilhões em negócios. Abriu-se, assim, uma reserva de mercado a ser alcançada por rotas virtuais, já que a venda presencial no campo também foi afetada pela contenção da pandemia.

Reviravolta silenciosa e bem maior talvez esteja ocorrendo no desenvolvimento de produtos e suporte técnico ao campo. Fazendas e granjas ampliaram protocolos sanitários para proteção das equipes e muitas das atividades de suporte e capacitação de clientes tiveram a sua forma tradicional dificultada, acelerando a busca por alternativas digitais: aplicativo (APP), videoconferência, live, TED talk, vídeo-aula, webinar e rede social, entre outras.

Muito está sendo feito por meio desses recursos, nos programas de marketing educativo das empresas do agro. Um exemplo é a invasão de APPs para gestão de negócios em vertentes como suprimentos, finanças e marketing. Do mesmo modo, o uso de alternativas digitais a reuniões presenciais tende a impactar setores ou negócios inteiros mais adiante – como vendas, o próprio marketing, hotelaria e aviação, só para pincelar possibilidades.

Mais à frente na cadeia produtiva, marcas de alimentos com valor agregado, mas sem boa penetração em redes de abastecimento e agora sem o comércio de rua, tentam outras rotas para chegar à mesa do consumidor. Um dos exemplos: agrupar-se em HUB de nutricionistas com comunicação multicanal, para levar informações técnicas úteis a esses profissionais e construir pontes de recomendação com o mercado.

Essas podem não ser mudanças operacionais apenas. Algumas dinamitam pontes conceituais. É uma transformação cultural que já vinha acontecendo, mas foi acelerada. A comunicação das marcas passa a ser medida agora em bytes por segundo e as narrativas de tecnologias e produtos tendem a se multiplicar. Nesse ambiente, o domínio nas percepções torna-se essencial para se navegar e negociar melhor no mercado.

Vai ser um momento para dominar as narrativas, contando as nossas histórias antes que outros façam isso em nome de outras coisas. Temos a nosso favor, a primazia que a ciência recuperou na vida das pessoas, como um legado do próprio Coronavírus. Essa será uma atitude essencial para uma agricultura e um marketing que se projetam sustentáveis.

 

 

*Coriolano Xavier

Membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM.

 

 

 

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