Com a realização das convenções partidárias, que tem prazo regimental até 5 de agosto e, posteriormente, o registro das chapas nos respectivos TREs, em 15 de agosto, é declarado oficialmente o período de campanha eleitoral. Entretanto, essa é a narrativa oficial, porque extraoficialmente, a campanha eleitoral, como é da cultura politica mundial, inicia-se um dia após a posse do governo eleito, seja em qual esfera for.
Naturalmente, onde se tem relações políticas estabelecidas em princípios democráticos, ou seja, onde se joga segundo as regras do jogo, time vencedor assume o comando, time derrotado se articula e vai pra oposição. Em determinados contextos, para preparar um ambiente futuro, mesmo quem vence, acusa de ter sido sabotado; pelas urnas, pela justiça eleitoral, pela oposição, pelo Chapolin Colorado ou pelo Batman.
A magia do período eleitoral traz consigo uma aura de transformações e de bondades repentinas e justiça social que chega a serem comoventes. De repente preocupações como preço de commodities agrícolas, economia global, índices de bolsa, mercados, são trocadas pelo interesse de nossa gente, necessidades do nosso povo ou um estado que seja melhor para todos, interesses dos mais diversos são apropriados por uma diversidade de atores, desde gente que nunca concluiu o ensino fundamental que é especialista em educação, até quem responde a tantos processos que não tem tempo nem pra responder o zap mas, que é paladino da moral e da justiça.
Lobistas do grande capital estão sempre a espreita para as mais variadas críticas aos governos progressistas e neoliberais, por outro lado, se esforçam em transformar o ambiente de investimento interno em terra arrasada-segundo sua ótica-ao mesmo tempo, são defensores ferrenhos de isenção fiscal para as grandes corporações e, inserem-se em governos desde pequenos municípios até as capitais aqui e além-fronteiras.
Dentro desse turbilhão de ilusões e desesperanças, vai se “farmando a aura” política para as eleições gerais de 2026, nos círculos de poder as cartas são dadas pelos mesmos crupiês de sempre. O jogo é jogado de acordo com o interesse do dono da bola. Velhos coronéis distribuem suas vontades como melancias na carroça, tudo devidamente tratado pela força do algoritmo; segurança pública não está a contento, pelo menos temos influenciadores para apoiar nossos candidatos. Salário de professor convocado é metade do concursado, mas as escolas têm internet e IA, a saúde anda mal das pernas, vamos privatizar que tudo melhora.
É deveras interessante observar como o processo de imbecilizar pessoas é um negócio extremamente lucrativo e que gera engajamento, a lógica argumentativa o debate razoável, o antagonismo saudável, foi substituído pelo cinismo, riso de deboche ou cultura de ódio, onde o outro que não concorda é o inimigo. A força do capital econômico travestido de influenciador digital, politico histriônico, mulher de família e igreja ou mensageiro (a) de deus, é melhor digerido que politicas públicas, perspectivas de estabilidade econômica, processo de industrialização. Esta quadra histórica que atravessamos, faz o esmagado idolatrar o rolo compressor que passa por cima dele. Brasil! Mostra a sua cara.
*Silvio de Oliveira
Historiador e Professor
Pós-Graduado em Gestão Escolar
Pós-Graduando em Gestão Pública
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