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Meio Ambiente Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010, 12:20 - A | A

Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010, 12h:20 - A | A

Pesquisa aponta que pastos podem conter mudanças no clima

Ana Maria Assis - Capital News

O relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado na última quarta-feira (13), apontou que os campos têm potencial para mitigar as mudanças climáticas através da absorção e armazenamento de CO2.

Pradarias e pastagens são sumidouro de carbono, o que poderia exceder os benefícios das florestas, se usado corretamente, explicou o documento. Os 3.400 milhões de hectares de pastagens podem desempenhar um papel fundamental para a adaptação e redução da vulnerabilidade às mudanças climáticas a mais de um bilhão de pessoas que dependem do gado para a vida, de acordo com o documento "Review of Evidence on Drylands Pastoral Systems and Climate Change".

"O mundo terá de usar todas as opções para conter o aquecimento global em 2ºC. Agricultura e uso da terra têm o potencial para ajudar a minimizar as emissões líquidas de gases de efeito estufa por meio de práticas específicas, especialmente o armazenamento de carbono no solo e na biomassa", afirmou o diretor-geral da FAO, Alexander Müller, em reportagem do Valor Econômico.

"Estima-se que as terras de pastagens armazenem 30% do carbono de solo do mundo, para além da quantidade substancial de carbono armazenado em árvores, arbustos e plantas",conforme pesquisa da FAO. A pesquisa mostra ainda que essas áreas de pastagem são muito sensíveis à degradação do solo, afetando 70% dos pastos, isso como conseqüência do excesso de pastoreio, da salinização, da acidificação e de outros processos. “A pressão sobre a terra está aumentando também afim de satisfazer a crescente demanda por carne e produtos lácteos", acrescenta a pesquisa.

A melhoria das práticas de gestão para restaurar a matéria orgânica em solos de pastagens, reduzir a erosão e diminuir as perdas decorrentes da queima e do excesso de pastoreio pode, portanto, ajudar a reter grandes quantidades de carbono, que segundo algumas estimativas poderia atingir um bilhão de toneladas, de acordo com o relatório.

O documento alerta que isso exigirá um esforço forte, globalmente coordenado e financiado adequadamente. "Um objetivo imediato possível seria dedicar entre 5% e 10% dos pastos em todo o mundo para o sequestro de carbono em 2020, o que permitiria poupar 184 milhões de toneladas de carbono anualmente."

O relatório sustenta que "o aumento da quantidade de carbono retido em pastagens pode ajudar populações pastoris a se adaptarem às mudanças climáticas, porque o carbono adicionado melhora a retenção de água no solo e, assim, sua capacidade de resistir à seca.

Outra consideração, cita o documento, "é para proteger a biodiversidade". Por algumas estimativas, o potencial de biodiversidade das pastagens é apenas ligeiramente menor do que o de florestas. Mas o relatório conclui que existem evidências de que o número de espécies de plantas, animais e microorganismos que vivem nos pastos estejam diminuindo a uma velocidade alarmante por causa de uma gestão inadequada, da má utilização dos solos e, mais recentemente, por causa das mudanças climáticas.(Com informações do Valor Econômico)

Por: Ana Maria Assis - (www.capitalnews.com.br)

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