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Interior Sábado, 19 de Março de 2011, 07:55 - A | A

Sábado, 19 de Março de 2011, 07h:55 - A | A

Chuva deixa Pantanal em estado de emergência

Da Redação - (VO)

Nos próximos dias a Embrapa Pantanal, com sede em Corumbá, MS, produzirá um parecer técnico para embasar o pedido de estado de emergência que produtores da planície pantaneira fizeram ao governo do Estado. O documento deverá ser enviado pelo governo à Defesa Civil em Brasília, para que o decreto seja elaborado.

Para formalizar o pedido, o presidente do sindicato rural do município, Raphael Kassar, se reuniu com Emiko Resende, chefe geral da Embrapa Pantanal, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Na terça-feira, 15 de março, Kassar e outros presidentes de sindicatos rurais de municípios localizados no Pantanal se reuniram com o governador André Puccinelli para pedir o estado de emergência. Eles afirmam que a cheia antecipada pelo excesso de chuvas concentrado em poucos dias pegou os pecuaristas de surpresa e muitos não tiveram tempo de remover o gado das áreas mais baixas do Pantanal. Neste ano, em Corumbá, já choveu cerca de 900mm e muitos rios da Bacia do Alto Paraguai estão enchendo.

O munícípio de Corumbá concentra 70% da planície pantaneira. Outros municípios afetados são Coxim, Rio Verde, Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho. O presidente do sindicato rural disse à chefe geral da Embrapa Pantanal que haverá "um índice elevado de morte de animais". "Quem conseguiu tirar os bois antes, tirou. Quem não conseguiu, não tira mais", afirmou.

A estrada parque (MS-184), única via de escoamento da produção do Pantanal, foi interditada nesta semana. A situação do gado se agravou, também, porque em 2010 o Pantanal teve uma seca acentuada e prolongada. "Os animais já vinham debilitados pela falta de pasto e agora veio essa cheia súbita", explicou Kassar. Corumbá tem um rebanho bovino de 1,973 milhão de cabeças, dos quais um milhão são matrizes (vacas que vão gerar os bezerros). "Estamos esperando uma quebra de 50% da produção", disse. O Pantanal é o grande fornecedor de bezerros e de boi magro para engorda. "Como nosso processo de criação da pecuária é longo - leva quatro anos para o bife chegar na mesa do brasileiro- estamos prevendo que os efeitos dessa cheia vão repercutir por um longo períodos."

O acesso de aviões ao Pantanal está restrito, pois muitas pistas de pouso das fazendas estão inoperantes devido ao alagamento. Para Kassar, o cenário o faz lembrar da cheia "catastrófica de 1974, depois de 14 anos de seca. Houve cheias significativas em 1988 e 1995, mas não com essa magnitude".

Prejuízos - Pelo menos três pesquisadores da Embrapa Pantanal serão envolvidos na elaboração do parecer, segundo Emiko, presidente entidade. Um deles, Urbano Gomes de Abreu, informou que o documento mostrará como a cheia está afetando o Pantanal e uma possível previsão de perdas.

Com o estado de emergência decretado, os produtores da planície devem ter acesso à uma linha de crédito especial e possível prorrogação de dívidas que estejam para vencer, já que eles não terão como vender o gado. Raphael Kassar explicou que essa prorrogação de dívidas dura enquanto o decreto estiver em vigor. O parecer da Embrapa Pantanal deve ser entregue juntamente com uma filmagem da área. (DBO)

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