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ENTREVISTA Sábado, 29 de Junho de 2024, 09:36 - A | A

Sábado, 29 de Junho de 2024, 09h:36 - A | A

Entrevista

TPM: Transtorno disfórico pré-menstrual: O que é e como identificar?

Considerado a forma grave da TPM, o TDPM causa sintomas graves que interferem no trabalho e nos relacionamentos das mulheres afetadas

Renata Santos Portela
Especial para o Capital News

Acervo Pessoal

TPM: Transtorno disfórico pré-menstrual: O que é e como identificar?

Para minimizar os sintomas é importante uma dieta rica em frutas, vegetais, proteínas e exercícios regulares, enfatiza a especialista

Mudanças de humor, ansiedade, indisposição são alguns dos desconfortos experimentados por mais de 64% das mulheres, segundo um estudo de um instituto de saúde Americano. Esses sintomas são decorrentes de um distúrbio pré-menstrual também conhecido como TPM (tensão pré-menstrual).

A pesquisa ainda revela que a maioria das mulheres apresenta sintomas pré-menstruais que afetam suas vidas cotidianas. As mudanças de humor são as mais comuns: pelo menos 61% do público feminino. Entender o que é essa síndrome, como ela funciona e tentar driblar seus efeitos para viver bem é uma necessidade, principalmente quando o caso é mais grave.

O Capital News conversou com a médica ginecologista, pós-graduada em ginecologia e obstetrícia pela Universidade Gama Filho Maria Carolina Dalboni Lemos Amaral. Ela vai falar sobre o tema, falar sobre as causas, sintomas e o que evitar.

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TPM: Transtorno disfórico pré-menstrual: O que é e como identificar?

As mudanças de humor são as mais comuns em pelo menos, 61% do público feminino

1. Capital News: O que é a TPM e no que se diferencia da TDPM? E os principais sintomas?

Carolina Dalboni Lemos Amaral: Tanto a TPM quanto a TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual) é um conjunto de sintomas emocionais e físicos que podem acontecer antes da menstruação e que alteram bastante a qualidade de vida da mulher. O que diferencia é a intensidade desses sintomas.

Quando a gente fala da TDPM estamos falando de uma forma mais severa, com instabilidade emocional de uma forma muito intensa, depressão severa, às vezes, não quer sair de casa, crises de ansiedade, muita irritabilidade. Às vezes fica até muito agressiva e isso interfere tanto no trabalho ou na escola quando a jovenzinha é uma adolescente e principalmente nos relacionamentos tanto dentro de casa com o marido, com os filhos e também no ambiente de trabalho.

Quando a gente tá falando de sintomas da Tensão Pré-Menstrual (TPM), podemos ter instabilidade emocional, edema, mama dolorida, cansaço, irritabilidade, depressão leve. Quando a gente fala do Transtorno Disfórico Pré-Menstrual, falamos de crises mesmo de ansiedade, muita irritabilidade, agressividade, alterações de humor muito acentuada, a paciente normalmente tem muita alteração no sono, não consegue dormir por causa dessa ansiedade, irritabilidade, e o que mais nos preocupa é essa incapacidade, às vezes, até de ter vontade de viver, ter uma crise de depressão severa e agressividade no seu meio social e nos seus relacionamentos.

2. Capital News: A enxaqueca neste período também é comum. Por que isso acontece e como tratar?

Carolina Dalboni Lemos Amaral: Ela acontece normalmente pelas alterações hormonais que a mulher sofre durante o ciclo menstrual. É necessário ter um equilíbrio entre essas oscilações, em especial entre o estradiol, a testosterona e a progesterona. Então, quando há esse desequilíbrio, temos que pesquisar essa paciente a fundo.

3. Capital News: A vontade por certos alimentos, como fazer para evitar o excesso?

Carolina Dalboni Lemos Amaral: É muito comum que a gente tenha vontade de comer doces e carboidratos. O que eu sempre falo para os pacientes é ter uma dieta bem focada no aumento do número de proteínas para ajudar na saciedade.

As fibras são importantes, evitar os carboidratos e o açúcar, optar bastante por frutas e vegetais. Além disso, caprichar em pequenas refeições várias vezes ao dia e alimentos com ação diurética também, já que a gente faz muito edema.

Uma dica é: Ingerir alimentos como a banana, o chocolate 70%, porque a gente tem o 5-HTP, o 5-Hidroxitriptofano, que ajuda na produção de serotonina.

4. Capital News: Existe a possibilidade de prevenção?

Carolina Dalboni Lemos Amaral: Quando a gente fala de prevenção, falamos sempre do estilo de vida. Atividades físicas, técnicas de relaxamento para estresse, boa qualidade do sono, hidratação adequada. Quando é preciso, evitar alguns alimentos inflamatórios como glúten, lactose, cafeína, tudo isso a gente deve evitar nesse período, além do álcool.

5. Capital News: Como é feito o diagnóstico?

Carolina Dalboni Lemos Amaral: O diagnóstico normalmente é clínico. O mais importante é a consulta do paciente, ouvir a paciente. Por meio da escuta, conseguimos ajudar e fechar o diagnóstico.

6. Capital News: Como tratar a TPM? Quais medicamentos ou suplementos são indicados?

Carolina Dalboni Lemos Amaral: São muito importantes devido todas as deficiências que a gente está tendo de vitaminas e sais minerais. Nossos intestinos, muitas vezes, sem funcionar, estão muito inflamados, muitas vezes a gente precisa ter exames laboratoriais para corrigirmos esses déficits e aliviar esse transtorno.

7. Capital News:Em quais casos a ajuda psiquiátrica é recomendada?

Carolina Dalboni Lemos Amaral: Então, quando os sintomas são muito graves, ela se torna incapacitante para a vida em sociedade ou com ela mesmo. Neste caso, é preciso, sim, do acompanhamento psiquiátrico, terapia e, muitas vezes, introduzir medicações antidepressivos.

8. Capital News: O que incluir no estilo de vida? Quais alimentos evitar?

Carolina Dalboni Lemos Amaral: Uma dieta rica em frutas, vegetais, proteínas e exercícios regulares. Eu sempre falo que os exercícios devem ser feitos durante todo mês, em cada fase do ciclo precisa de um acompanhamento, qual é o melhor tipo de exercício em cada fase do ciclo do paciente: momento do aeróbico, momento de força, momento de um exercício mais leve, técnicas de relaxamento. De fé, de oração, de meditação, o que é importante para a paciente. Evitar açúcares e carboidratos simples. E o álcool em excesso e alguns derivados da cafeína.

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