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Economia Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008, 12:10 - A | A

Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008, 12h:10 - A | A

MS se agarra à verba do PAC para garantir alcoolduto

Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

Quinto maior produtor de álcool da era do ‘combustível verde’, Mato Grosso do Sul joga todas as fichas na invulnerabilidade do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), de onde vai sair a maior parte dos recursos para construção do duto que vai levar etanol ao porto de Paranaguá. Para escoar a futura produção de álcool, MS se associou ao Paraná e juntos já asseguraram pelo menos a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a obra é irreversível.

A expectativa do governo em Mato Grosso do Sul é de a Petrobras adotar o alcoolduto do Sudeste junto com a obra do duto do Centro-Oeste, que vai partir de Goiás e deve entrar em operação primeiro.

O projeto já poderia estar mais avançado, mas não deve parar em função da retração dos investimentos por conta da crise mundial. O duto vai ligar os municípios de Senador Cañedo (GO) e Paulínia (SP), com 1.150 km de extensão e um custo aproximado de US$ 1 bilhão.

O objetivo é escoar a produção de etanol da região Centro-Oeste, passando pela cidade mineira de Uberaba e as paulistas Ribeirão Preto e Guararema. Dessa última, o duto seguirá para São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, e daí para o terminal de Ilha d’Água, no Rio de Janeiro.

De acordo com seu plano de negócios, a Petrobras pretende investir até 2012 aproximadamente US$ 700 milhões em projetos e infra-estrutura para exportação de um volume de 4,7 bilhões de litros de etanol.

O alcoolduto de Mato Grosso do Sul e Paraná terá 920 quilômetros de extensão, saindo de Campo Grande até o Porto de Paranaguá.

A Petrobras está segura da necessidade de ampliar sua atuação no negócio etanol, participando da cadeia produtiva nacional para o desenvolvimento de mercados internacionais, com foco em logística e comercialização.

Para isso, a companhia participará (de forma minoritária) de associações em novas plantas de etanol para exportação, como forma de obter a garantia do fornecimento do produto. O Brasil é dono da segunda posição mundial em produção de etanol. São 22 bilhões de litros produzidos anualmente.

A garantia da obra está em sua inclusão no PAC e na condição do Paraná de grande produtor sucroalcooleiro, com produção de 2,8 milhões de toneladas de açúcar e 1,6 bilhões de litros de álcool. A obra vai consumir parte dos R$ 4,1 bilhões previstos no PAC para o setor de escoamento de álcool.

O alcoolduto será para MS um caminho de duas vias. A idéia é fazer com que o duto seja aproveitado para trazer combustível, como gasolina, do Paraná para o Mato Grosso do Sul, diz o governador André Puccinelli (PMDB).

Ele nota, porém, que o alcoolduto não deve ser visto apenas com uma obra de interesse regional. A obra é estratégica para o país, que precisa acelerar a logística e aumentar as exportações de álcool, principalmente para a Ásia. Mato Grosso do Sul pode contribuir com essa logística porque é o 5º maior produtor de álcool do país e com potencial para ser o segundo no ranking até 2015, por conta das usinas que estão se instalando no estado, comemora André.

Exportações

A capacidade de exportação de etanol pelo Porto de Paranaguá é de 600 mil metros cúbicos por mês. Para se ter uma idéia do volume, a produção total anual do Mato Grosso do Sul é de 889 mil metros cúbicos, em 200 mil hectares plantados. Mas o Estado pretende a partir de 2009, produzir 2,5 bilhões de litros de álcool por ano em 2 milhões de hectares de terras.
Os embarques brasileiros de etanol devem mais do que quadruplicar dentro de alguns anos. O país deve exportar, até 2012, mais de 10 bilhões de litros do combustível. (Diário MS)
 

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