O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, chamou a atenção para os gargalos na infraestrutura de transporte que limitam a competitividade do Estado.
Segundo ele, a chamada Malha Oeste ainda é um dos principais entraves logísticos para acompanhar o desenvolvimento das exportações da nossa Agroindústria, no crescimento do Vale da Celulose e a chegada da Rota Bioceânica no Mato Grosso do Sul.
“O setor privado, infelizmente, não fará esse tipo de investimento. Precisamos da iniciativa pública para destravar o problema”, afirmou. A declaração foi feita na entrevista ao programa Tribuna Livre, da Capital FM, em Campo Grande.
Na entrevista, o secretário, ainda enfatizou que o Mato Grosso do Sul continuará consolidado como Estado exportador nos próximos anos, já que a produção agrícola e industrial supera em larga escala o consumo interno. Portanto, investimento em infraestrutura, como a recuperação da Malha Oeste da nossa ferrovia, é primordial. “Hoje temos 1,5 milhão de habitantes e podemos chegar a três ou até quatro milhões, mas nunca conseguiremos consumir tudo o que produzimos. Por isso, somos obrigados a reduzir os custos logísticos para sermos competitivos”, destacou.
Avanços da Rota Bioceânica
Ao comentar sobre a Rota Bioceânica, projeto coordenado por sua pasta, Verruck ressaltou que a obra recebe apoio de outras secretarias estaduais e também do Governo Federal. Ele lembrou que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) já investe em melhorias de rodovias estratégicas, como a BR-262 e a BR-163, além de destacar o avanço da ponte em Porto Murtinho. “A ponte já tem 75% da obra concluída e estamos revitalizando trechos viários que vão desde a Rota da Celulose, em Bataguassu, até a cabeceira da ponte”, afirmou.
O secretário ainda relatou que o único impasse pendente foi resolvido recentemente. “Na divisa entre Paraguai e Argentina havia a necessidade de uma rodovia em território argentino, que passaria em uma reserva ambiental. Ontem, a Casa Rosada confirmou a liberação de um empréstimo de US$ 100 milhões para viabilizar a obra”, explicou.
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Mapa de Produção Agropecuária para introdução da logística e estratégica do trecho ferroviário entre Campo Grande e Ponta Porã apresentado em audiência
Ponte e estrutura alfandegária
De acordo com a Semadesc, a ponte estaiada, com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, já alcançou 75% de execução. O acesso rodoviário de 13,1 km, que inclui quatro pontes intermediárias — uma delas com quase 700 metros — está em fase inicial, com cerca de 17% concluídos.
A estrutura é considerada estratégica para consolidar o Corredor Rodoviário de Capricórnio, conectando portos do Norte do Chile, via Paraguai e Argentina, até o Brasil, com destaque para Porto Murtinho. Também estão previstas instalações alfandegárias integradas entre os países. Segundo estimativas da Receita Federal, o fluxo inicial será de 250 caminhões por dia, podendo aumentar conforme a rota se consolide como alternativa logística de exportação e importação para o Mercosul e a Ásia.
Vale da Celulose: um polo de investimentos gigantes
O Mato Grosso do Sul transformou uma visão de futuro em uma potência global, consolidando o chamado "Vale da Celulose" com a chegada de grandes empresas e a promessa de bilhões em investimentos. A consolidação do Vale da Celulose é o resultado de uma política de Estado que começou há uma década, com o Governo priorizando o setor florestal e criando um ambiente favorável, com menos burocracia e mais incentivos.
Apesar do crescimento exponencial, o secretário Jaime Verruck alertou para o principal gargalo: a logística. Com uma produção que deve ultrapassar a marca de 10 milhões de toneladas anuais até o fim da década, o escoamento da celulose para os portos e a distribuição interna se tornam um desafio central para manter a competitividade, hoje pela Estrada ou futuramente pela Ferrovia.
Álvaro Rezende/Secom/Arquivo

Mato Grosso do Sul é hoje uma potência global, consolidando no chamado "Vale da Celulose" com a chegada de grandes empresas
Entenda o Imbróglio Malha Oeste: O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu arquivar o processo de relicitação da ferrovia Malha Oeste, que liga Mairinque (SP) a Corumbá (MS), com 1.973 km de extensão. A proposta, elaborada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela concessionária Rumo, foi considerada irregular e rejeitada pelo plenário da corte.
Segundo o relator do caso, ministro Aroldo Cedraz, o plano apresentado não atendia às exigências legais, uma vez que permitiria a continuidade da concessão à Rumo sem processo licitatório, mesmo com seu histórico de descumprimento contratual. A proposta envolvia a modernização de apenas 491 km da ferrovia — justamente os trechos mais rentáveis — enquanto os outros 1.600 km, considerados deficitários ou abandonados, seriam devolvidos.
Campo Grande foi palco de um debate considerado histórico para o futuro logístico do Brasil. A audiência pública realizada neste mês promovida pela Câmara Municipal, reuniu lideranças políticas, especialistas e representantes do setor ferroviário para discutir a recuperação e reativação da Malha Oeste, ferrovia que liga Corumbá (MS) a Mairinque (SP) e que está praticamente paralisada há décadas.
Corredor: A Rota Bioceânica é um corredor logístico que visa ligar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, atravessando a América do Sul por meio de infraestruturas rodoviárias, e que deve impulsionar o desenvolvimento econômico do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, reduzindo custos e tempos de transporte entre a América Latina e os mercados asiáticos. A obra central, a ponte binacional sobre o Rio Paraguai, que liga Porto Murtinho (Brasil) e Carmelo Peralta (Paraguai), tem um avanço significativo, com o objetivo de consolidar este corredor estratégico.
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A Rota Bioceânica é um corredor logístico que visa ligar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, mostra a importância de ter ferrovia da Malha Oeste no Mato Grosso do Sul
A importância da ferrovia da Malha Oeste no Mato Grosso do Sul para a Rota Bioceânica é conectar o centro produtor de grãos à ferrovia que escoa essa produção pelo Pacífico, reduzindo drasticamente custos e tempo de viagem para a Ásia e outros mercados, aumentando a competitividade e transformando o estado em um centro logístico vital. A Malha Oeste, como parte integrante do projeto, oferece uma alternativa mais eficiente ao transporte marítimo tradicional, que hoje depende do Canal do Panamá ou do Estreito de Magalhães.