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Arroba avançou em Mato Grosso do Sul enquanto contratos futuros seguem mais valorizados e indicam expectativa de demanda maior no último trimestre
O mercado do boi gordo iniciou a semana com preços firmes em Mato Grosso do Sul e valorização em Dourados. Nesta terça-feira (22), a arroba foi cotada em R$ 346 à vista e R$ 350 para pagamento em 30 dias, alta de R$ 2 em relação ao levantamento anterior. Em Campo Grande, os valores ficaram nos mesmos patamares, enquanto Três Lagoas registrou R$ 341,50 à vista e R$ 345 a prazo.
A valorização ocorre em um momento de forte diferença entre o mercado físico e os contratos futuros. Na semana passada, a distância entre a arroba negociada para setembro e os contratos de outubro chegou a superar R$ 20, movimento associado à expectativa de maior consumo e procura por carne bovina nos últimos meses do ano. “A tendência é de que o mercado busque um ajuste de convergência nas próximas semanas”, avaliou o analista Fernando Iglesias.
Em Mato Grosso do Sul, a oferta mais restrita de animais prontos para abate também ajuda a sustentar as cotações. As chuvas recentes melhoraram as condições das pastagens em algumas regiões e deram aos pecuaristas maior possibilidade de segurar o gado, reduzindo a oferta imediata aos frigoríficos. Ao mesmo tempo, grandes indústrias conseguem manter escalas mais confortáveis com animais de parceria e confinamentos próprios, enquanto plantas menores enfrentam maior dificuldade para preencher a programação de abate.
Outro fator observado pelo setor é o desempenho da demanda externa. A China continua no centro das atenções, embora o Brasil já tenha alcançado em 2026 o limite da cota de carne bovina destinada ao mercado chinês com tarifa reduzida. Negociações para ampliar o acesso continuam em andamento, enquanto os Estados Unidos também ganharam importância entre os destinos da proteína brasileira.
No mercado interno, o avanço da arroba ainda encontra limite no poder de compra das famílias e na concorrência com carnes mais baratas, como frango e suíno. Mesmo assim, o último trimestre costuma reunir fatores sazonais favoráveis, como pagamento de salários, 13º salário e maior consumo nas festas de fim de ano. A combinação entre oferta mais ajustada, exportações e demanda doméstica será determinante para definir se os preços atuais em Mato Grosso do Sul conseguirão acompanhar a valorização já indicada pelos contratos futuros.
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