Campo Grande 00:00:00 Terça-feira, 22 de Setembro de 2026


Agronegócio Terça-feira, 22 de Setembro de 2026, 09:44 - A | A

Terça-feira, 22 de Setembro de 2026, 09h:44 - A | A

Crescimento

Etanol de milho transforma mercado e amplia destino da produção em Mato Grosso do Sul

Expansão das usinas cria novo comprador para o grão, impulsiona industrialização e aumenta demanda por infraestrutura e logística

Elaine Oliveira
Capital News

Divulgação/Aprosoja MS

Milho

Milho

A expansão da indústria de etanol de milho está mudando a dinâmica da cadeia produtiva de grãos em Mato Grosso do Sul. Desde a instalação da primeira usina, em 2022, o Estado ganhou uma nova alternativa para o consumo da produção de milho, fortalecendo a industrialização regional e criando um mercado de grande escala para os produtores.

Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul cultivou mais de 2 milhões de hectares de milho e produziu 13,9 milhões de toneladas. Cerca de 2 milhões de toneladas foram destinadas à exportação no período, enquanto as usinas passaram a absorver uma parcela cada vez maior da produção estadual.

Atualmente, três unidades de etanol de milho estão em operação no Estado, nos municípios de Dourados, Sidrolândia e Maracaju. Uma quarta planta está em implantação em Nova Alvorada do Sul, com a proposta de integrar a produção de etanol de milho à estrutura de uma usina de cana-de-açúcar.

O movimento acompanha a expansão nacional do setor. Segundo dados apresentados em estudo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), o Brasil passou de 18 usinas de etanol de milho em operação, em 2023, para 29 na safra 2025/2026.

Mato Grosso do Sul responde atualmente por cerca de 20,9% da produção nacional, com estimativa de 2,128 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2025/2026, ocupando a segunda posição entre os estados produtores.

Novo mercado para o produtor

Para quem produz milho, a expansão das usinas representa uma ampliação das possibilidades de comercialização. Historicamente, boa parte da produção da segunda safra tinha como destino a exportação e as fábricas de ração.

“A instalação das usinas acrescenta um novo comprador de grande porte dentro do próprio estado, criando uma terceira alternativa de comercialização para o grão. Além disso, a proximidade entre as lavouras e as indústrias pode reduzir a distância percorrida pelo milho e, consequentemente, a exposição aos custos logísticos das operações de longa distância”, aponta o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.

O fator logístico ganha relevância porque cerca de 80% da produção agrícola de Mato Grosso do Sul é transportada por rodovias, segundo levantamento citado no estudo. Em determinadas rotas de exportação, o frete pode representar uma parcela significativa do valor do milho.

Com a presença de indústrias próximas às regiões produtoras, parte do grão pode ser comercializada diretamente para as usinas, alterando a composição dos custos relacionados ao transporte.

Milho vira etanol, ração e outros produtos

A verticalização da cadeia não se limita ao etanol. As usinas utilizam o milho em processos de moagem seca e aproveitam diferentes componentes do grão.

Além do etanol, são produzidos DDG ou DDGS, óleo de milho e CO₂ industrial. Os produtos e subprodutos abastecem segmentos como alimentação animal, indústria de alimentos, biodiesel e bebidas.

Entre eles, o DDG ganhou espaço nas exportações sul-mato-grossenses. Em 2025, o Estado produziu 1,4 milhão de toneladas do produto, das quais 1,15 milhão de toneladas foram exportadas para países como Nova Zelândia, Turquia e Vietnã. O período também foi marcado pelos primeiros embarques para a China.

A industrialização vem ampliando ainda a participação do milho na economia estadual. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados no estudo apontam crescimento de 88,1% no Valor Bruto da Produção (VBP) do milho em Mato Grosso do Sul em 2025. Com isso, o grão passou a representar 16,8% do VBP agropecuário estadual.

Expansão movimenta economia regional

O avanço das usinas também gera impactos em atividades que vão além da produção agrícola, movimentando setores como logística, armazenagem, manutenção industrial, prestação de serviços e fornecimento de insumos.

O setor sucroenergético sul-mato-grossense, que reúne usinas de cana e milho, está presente em 42 municípios e gera aproximadamente 33 mil empregos diretos.

Entre os novos empreendimentos, a construção da unidade de Nova Alvorada do Sul deve envolver cerca de 2 mil trabalhadores. Já a unidade de Maracaju conta atualmente com 150 empregos diretos e aproximadamente 600 indiretos.

Infraestrutura entra no radar

O crescimento da indústria também aumenta a necessidade de infraestrutura para transportar tanto o milho quanto os produtos resultantes do processamento.

Nesse cenário, o estudo aponta a Rota Bioceânica como uma alternativa estratégica para os próximos anos, principalmente para o escoamento de produtos como o DDG com destino aos mercados asiáticos.

A expectativa é que o corredor conecte Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico, no Chile, ampliando as possibilidades de acesso a mercados internacionais.

Ao mesmo tempo, o aumento da capacidade industrial deve elevar a disputa pelo milho entre as usinas de etanol e as fábricas de ração. Com a entrada de novas plantas, a expansão da produtividade e da oferta do grão passa a ser um dos pontos de atenção para acompanhar o crescimento da indústria.

Em pouco mais de quatro safras, Mato Grosso do Sul passou de nenhuma usina de etanol de milho em operação para a segunda posição entre os maiores produtores nacionais.

Para os produtores, o avanço representa mais alternativas para comercialização. Para o Estado, amplia a industrialização da produção agrícola dentro do próprio território e cria novas demandas por infraestrutura, logística, serviços e mão de obra.

• • • • • 
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.

• • • • • 
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado. 

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS