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Levantamento

Produção cresce em Mato Grosso do Sul e muda perfil do trabalho no campo

Soja e milho avançam na safra 2025/2026, enquanto mecanização reduz ocupações nas lavouras e amplia demanda por funções técnicas e de suporte

Elaine Oliveira
Capital News

Prefeitura de Campo Grande/Divulgação

Campo Grande (MS), 23/10/2024 - Colheita de soja e agronegócio

Campo Grande (MS), 23/10/2024 - Colheita de soja e agronegócio

Mato Grosso do Sul colheu 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026, em um cenário de transformação no mercado de trabalho rural. Enquanto a produção agrícola avança, diminui a quantidade de pessoas ocupadas diretamente nas lavouras e cresce a participação de profissionais ligados à agroindústria, aos agrosserviços e ao suporte técnico.

Os dados do Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Cepea em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que o agronegócio brasileiro empregou 28,40 milhões de pessoas em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2012.

O contingente correspondeu a 26,3% da população ocupada no país e representou aumento de 601.806 trabalhadores em relação a 2024.

O crescimento, porém, ocorreu de maneira diferente entre os segmentos. A agroindústria registrou alta de 1,4% nas contratações, enquanto os agrosserviços avançaram 6,1%. Já o segmento primário teve retração de 1,1%, com redução de 87.378 trabalhadores.

Na agricultura, a queda foi mais expressiva entre as principais culturas de Mato Grosso do Sul. A população ocupada na produção de soja recuou 6,9%, o equivalente a 31.987 pessoas. No milho, a redução chegou a 10%, com 43.087 trabalhadores a menos.

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, os números estão relacionados ao avanço da tecnificação no campo.

“No caso da soja e do milho, a mecanização e a automação reduzem determinadas atividades manuais. Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva mantém demanda por trabalhadores em áreas como agroindústria, agrosserviços, assistência técnica, logística, manutenção e operação de máquinas”.

Agro também movimenta empregos em MS

A soja e o milho têm participação importante na economia e nas exportações de Mato Grosso do Sul. Em 2025, o complexo soja respondeu por US$ 2,94 bilhões dos US$ 10,1 bilhões exportados pelo agronegócio sul-mato-grossense.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reúne informações sobre admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada, também mostram diferenças entre os setores da economia estadual.

Mato Grosso do Sul terminou 2025 com saldo positivo de 19.756 empregos formais. A agropecuária respondeu por 1.256 vagas, enquanto construção civil, serviços, indústria e comércio apresentaram saldos superiores.

O mercado de trabalho do campo também acompanha o calendário agrícola. Em abril de 2026, a agropecuária registrou saldo negativo de 115 vagas no Estado. Em agosto de 2025, foram 175 vagas a menos, período que coincidiu com o vazio sanitário da soja.

Com o encerramento do vazio sanitário em 15 de setembro e a liberação do plantio a partir de 16 de setembro, a demanda por trabalhadores ligados à produção de soja volta a acompanhar o início de um novo ciclo agrícola.

Qualificação ganha espaço

Além da quantidade de vagas, as mudanças na agricultura também alteram o perfil dos profissionais procurados pelo setor.

Levantamento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) aponta diferenças de remuneração de acordo com a escolaridade dos trabalhadores da agropecuária. Nos municípios analisados, mulheres com ensino superior completo apresentaram remuneração média de R$ 5.138,46, enquanto entre aquelas com ensino médio a média foi de R$ 2.378,29.

Os dados têm como base informações da Rais e do Caged referentes a 2021.

Para Raphael Gimenes, o avanço tecnológico aumenta a necessidade de profissionais preparados para lidar com novas ferramentas e processos.

“A tecnologia aumenta a necessidade de trabalhadores preparados para operar máquinas, utilizar ferramentas digitais e atuar em atividades de gestão e suporte à produção. A qualificação passa a fazer parte da estrutura necessária para acompanhar as mudanças na agricultura”, finaliza Raphael.

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