Cerca de meio milhão de trabalhadores do setor frigorífico devem paralisar a produção em todo país se as reivindicações da categoria não forem atendidas até o dia 23 de setembro. A greve atingirá principalmente os estados de maior produção, dentre eles, Mato Grosso do Sul.
A decisão de por fim às más condições de trabalho foi tomada durante assembleia geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação e Afins (CNTA), realizada nesta quinta-feira (11), em Campo Grande. A proposta, elaborada por mais de 60 entidades sindicais, reivindica a aprovação do piso salarial de R$ 1 mil e a adoção de uma Norma Regulamentadora que prevê alternativas de segurança e saúde para a categoria.
A pauta será encaminhada agora para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) na tentativa de abrir as negociações. Caso não se obtenha consenso, os dirigentes sindicais iniciarão uma mobilização nacional que poderá culminar em greve geral do setor até a realização do Congresso Nacional da categoria, em 23 de setembro.
O presidente da CNTA, Artur Bueno, acredita que com a aprovação da resolução discutida em assembleia os frigoríficos também poderão ser beneficiados com a redução da rotatividade de mão de obra e com o aumento da qualidade dos produtos a partir de condições mais dignas de trabalho.
A remuneração dos trabalhadores do setor frigorífico é em média R$ 1.058,43, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), levantados pelo Dieese, em parceria com a CNTA em 2010. No entanto, 28% dos trabalhadores recebe entre 1 e 1,5 salário, enquanto 61% recebe até 2 salários, de acordo com a pesquisa.
Com base na estatística do Salário Mínimo Necessário do Dieese desse ano, que estimou o valor de R$ 2 mil como o ideal para que o trabalhador brasileiro possa suprir necessidades básicas como a alimentação, a CNTA quer por fim a variação salarial entre os Estados prejudicada ainda pelo baixo grau de instrução da maioria dos trabalhadores. Os piores rendimentos estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste. Enquanto em Tocantins o salário é em média R$ 865,00, no Sudeste, em São Paulo, esse valor sobe para R$ 1.246,76.
Sobre a possível instalação de greve a partir do próximo mês, o presidente da CNTA, Artur Bueno, diz ter esperanças de um retorno positivo a partir das negociações que serão iniciadas na próxima semana. "Essa greve irá causar impactos nacional e internacional. Então esperamos que não haja a necessidade de chegarmos a esse ponto. Mas se for necessário, nós estamos preparados para fazer a mobilização geral”, alerta Artur.
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