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Cotidiano Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011, 13:11 - A | A

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011, 13h:11 - A | A

Juiz Odilon defende uso de dinheiro do tráfico na educação

Da redação (VB)

Em palestra para secretários municipais de educação de todo o Estado no auditório da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), o juiz federal Odilon de Oliveira, defendeu o uso pelo poder público do próprio dinheiro apreendido com traficantes em investimento pesado na construção e manutenção de centros de ensino público de nível básico ao secundário.

Ele sugere investimentos em cursos profissionalizantes, período integral e educadores especializados que podem ser atraídos com salários valorizados.

Só sob sua jurisdição no estado, informou, o patrimônio apreendido supera em muito a cifra de um bilhão de reais, esperando por definições da justiça para ter uma destinação.

O juiz é um dos homens mais ameaçados pelo crime organizado por sua atuação no combate ao tráfico de drogas na fronteira com o Paraguai e a Bolívia.

Ele é titular da 3ª Vara Federal em Campo Grande, a única do estado especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro com jurisdição em todo o Mato Grosso do Sul.

Para Odilon de Oliveira, depois da família, cuja reestruturação também deve ser alvo de ações do poder público tanto em nível federal, como estadual e municipais, a educação é a principal arma para se combater o consumo e tráfico de drogas.

Citando MS como exemplo, o magistrado afirma, entretanto, que a União é omissa em seu papel porque, além de não priorizar com recursos financeiros que é porta de entrada de armas e drogas para todo o Brasil, não vai além da repressão policial.

Para ele, a União deixa de investir devidamente em ensino público de qualidade e em outras áreas preventivas e profissionalizantes para que as famílias possam ter alternativas ao assédio da lucrativa indústria do tráfico.

“Os policiais federais e estaduais que atuam em nossas fronteiras são heróis, porque funcionam como um filtro apreendendo cargas e prendendo pessoas de outros estados e países que abastecem o mercado de drogas e armas. Mas a União é omissa por não priorizar Mato Grosso do Sul como portal de entrada de armas e drogas”, disse.

O juiz afirma que o estado gasta em média R$ 5,160 milhões por mês para sustentar presos por tráfico que são na maioria de outros estados e só usam o território sul-mato-grossense como passagem e defende que o governo federal volte mais sua atenção para a região.

(Com informações da assessoria de imprensa da Assomasul)

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