A gestão provisória da Santa Casa de Campo Grande prepara uma redução de 20% na folha de pagamento dos funcionários contratados pelo regime CLT como uma das primeiras medidas para enfrentar a crise financeira do hospital. Atualmente, os gastos mensais com a folha estão na casa dos R$ 16 milhões.
Luiz Alberto Kanamura assumiu o comando da instituição por determinação da Justiça, inicialmente por 180 dias, depois do afastamento de 19 integrantes da diretoria corporativa e do conselho de administração. Desde que assumiu, o gestor iniciou reuniões com representantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para definir as primeiras ações administrativas e financeiras.
A redução de despesas com pessoal deverá atingir os trabalhadores vinculados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sem incluir, neste momento, os profissionais contratados como pessoas jurídicas. Alguns afastamentos já começaram a ser realizados. Segundo Kanamura, a intenção é adequar a operação para diminuir os custos e buscar o equilíbrio do fluxo de caixa, preservando o atendimento aos pacientes.
O desafio envolve uma dívida acumulada que, segundo o balanço financeiro da própria Santa Casa, supera R$ 544 milhões. Apenas os impostos em atraso, já parcelados, chegam a aproximadamente R$ 189,8 milhões. No balanço de 2025, os empréstimos ultrapassaram R$ 261,7 milhões, enquanto o déficit registrado em 2024 foi de R$ 98,3 milhões. Diante do quadro, uma das determinações judiciais impostas à administração provisória é a proibição de contratar novos empréstimos bancários sem participação das autoridades responsáveis pelo acompanhamento da intervenção.
Kanamura também deverá prestar contas mensalmente sobre a situação administrativa, financeira e operacional do hospital, incluindo despesas, contratos, aplicação de recursos e medidas adotadas durante a gestão. Uma auditoria externa está prevista, e a Controladoria-Geral da União (CGU) foi convidada a realizar uma análise independente. A intervenção ocorre após a Operação Antidotum, que investiga suspeitas de desvios de aproximadamente R$ 4,9 milhões em contratos relacionados à digitalização de prontuários da Santa Casa.
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