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Opinião Sexta-feira, 02 de Outubro de 2026, 12:13 - A | A

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Opinião

Lóbis e Lobos

Por Silvio de Oliveira*

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Silvio de Oliveira

Silvio de Oliveira

A expressão “você é eternamente responsável por aquilo que cativa”, da magnifica e sempre atual obra do escritor e ilustrador francês Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe, cabe, perfeitamente, na metáfora aqui usada para roteirizar o presente artigo. A construção fática que organizo, busca propor um paliativo para o transtorno conhecido como ludopatia, desejo incontrolável e compulsivo de apostar.

Considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), como uma doença que afeta o bem-estar psicológico, financeiro e social dos indivíduos, a ludopatia acomete jovens e adultos de todas as idades e, é também considerada como uma doença grave. O Ministério da Saúde trata como um grave problema de saúde pública, buscando projetos de lei que visam limitar a participação de públicos vulneráveis durante os horários de picos dos jogos, noturno e madrugada.

A acelerada disseminação dessa “praga” atinge todos os espectros sociais, e claro, também nesse contexto a desigualdade social mostra seu lado mais cruel, enquanto viciados ricos jogam por diversão ou distração, o mesmo doente, viciado pobre, muitas vezes utiliza o dinheiro que seria usado para aquisição de alimentos ou despesas essenciais, agua, luz ou gás. Presentemente um dos critérios do programa de renegociação de dividas do Governo Federal, o Desenrola, era a proibição do participante do programa de apostar em bets.

Mesmo com esse quadro lastimável, a força opressora dos lobes tenta suavizar o impacto negativo causado por esses jogos, utilizando as válvulas de escape e recreativas da sociedade, musica, futebol, artistas, animaizinhos de desenho animado, influencers e falsos ganhadores, que apresentam bens de alto padrão, utilizados como grande influencia nas mais variadas ambições. Apesar dos alertas da OMS para o crescimento dessa doença, o congresso brasileiro aprovou no final de 2023 o PL 3626/2026 que regulamentou as apostas esportivas.

Nesse período eleitoral que atravessamos, talvez pudéssemos perguntar: uma vez que o Ministério da Saúde vê essas apostas como problema de saúde pública, seria de esperar que a bancada governista tenha contra, certo? Ledo engano! O projeto encontrou amplo apoio, desde centrão, base do governo, e oposição. Apenas o Psol votou contra. Voltando ao Pequeno Príncipe, governo e oposição cativaram juntos esse atual problema.

Em números, as bets retiraram da economia brasileira em 2025, 141 Bilhões ou seja, cerca de 1,1% do PIB. As consequências diretas disso, segundos fontes e estudos citados no final do artigo, são queda no varejo, perda de renda, concentração no topo, redução de compras entre outras. Apenas com a saída liquida do orçamento familiar em 2025, foram R$ 62,5 bilhões, o impacto acumulado no varejo foi de 143 bilhões.

Países como a China, por exemplo, as regras são bastante severas com cidadãos que fazem apostas em loterias não estatais. A Noruega, promove o controle estatal com regramento severo, o que possibilitou a redução no volume de apostas pela metade. Além dos citados, países como Itália, Espanha e Bélgica baniram a publicidade dessas apostas, quase que totalmente, em redes sociais, transmissões esportivas e patrocínios. É urgente, um esforço coletivo da sociedade organizada para o enfrentamento desse mal. O caminho para o banimento não é tão fácil. O lóbi do jogo é fortíssimo, mas, a saúde financeira da família brasileira precisa ser mais forte.


*Silvio de Oliveira
Historiador e professor
Pós-Graduando em Gestão Publica
Pós-Graduado em Gestão Escolar


https://vermelho.org.br/2026/09/20/bets-custam-r-306-bilhoes-por-ano-ao-sus/
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/08/06/bets-tiraram-r-625-bilhoes-das-familias-brasileiras-em-2025-aponta-estudo.ghtml
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/brasileiros-depositaram-r-221-bi-em-bets-no-ano-passado-mostram-dados-da-fazenda.shtml

 

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