A guerra na Corte ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira, agora com os autos do caso Master no centro da disputa. O presidente do STF, Edson Fachin, acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), assinado pelo vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho, e determinou hoje ao relator do caso, André Mendonça, que retire em 24 horas o sigilo de todos os documentos e procedimentos relacionados às investigações, incluindo o material que ainda permanecia reservado, informa o G1. A exceção fica apenas para diligências em andamento que dependam de sigilo para não atrapalhar as investigações.
Mais cedo, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin encaminharam ofícios a Fachin defendendo medidas semelhantes às propostas pela PGR para ampliar o acesso aos documentos relacionados ao caso Master. Moraes chegou a acusar Mendonça de ter feito uma “escolha seletiva” ao liberar apenas parte dos documentos.
O novo embate ocorre após André Mendonça ter retirado ontem o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e Vorcaro a pedido de Fachin. Contudo, a liberação manteve em segredo outras frentes, ainda segundo o G1, como apurações ligadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao financiamento do filme "Dark Horse" — cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que colocou sob apuração da Polícia Federal conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Hoje, a PGR afirmou que a divulgação apenas de parte dos autos poderia criar uma 'ideia equivocada de transparência'.
O movimento aumenta a pressão sobre Fachin, que assumiu o papel de árbitro da crise. O presidente do STF marcou para a próxima terça-feira uma sessão extraordinária do plenário para analisar o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas por Daniel Vorcaro e Moraes, que também quer que sejam julgados na ocasião as acusações contra Mendonça, com praticamente todas as cartas sobre a mesa do colegiado de ministros.
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