Projeções de investimento bilionário, avanço tecnológico e mudanças no perfil de consumo sustentam a expansão do setor e reforçam o protagonismo do Brasil entre os maiores mercados farmacêuticos
A expansão vivida pela indústria farmacêutica brasileira nos últimos anos consolidou o país entre os dez maiores mercados globais. Para este ano, a expectativa é continuar esta trajetória: a projeção é de crescimento de 10,6%, conforme dados apresentados pela consultoria IQVIA durante evento promovido pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).
O crescimento do setor nacional é impulsionado por políticas públicas; mudança nos hábitos de consumo, com pessoas buscando mais cuidados com a saúde; inovações tecnológicas, que incluem desde produtos e equipamentos, como o agitador mecânico para laboratórios, até o uso de Inteligência Artificial (IA) nos processos de produção.
O cenário reflete diretamente no faturamento, que cresceu 11,5% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, passando de R$ 124 bilhões para R$ 138,3 bilhões, segundo dados da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac).
Investimentos de R$ 16 bilhões no setor
De acordo com a InvestSP, o setor privado deve aplicar R$ 16 bilhões até o final deste ano. Desse total, R$ 7,5 bilhões devem ser destinados à pesquisa e ao desenvolvimento, e R$ 8,5 bilhões para fábricas e equipamentos.
Um dos equipamentos no radar de investimentos é o Dispersor Ultra Turrax, usado em laboratórios e em indústrias para homogeneização, emulsificação, dispersão e trituração de amostras.
Já a política industrial Nova Indústria Brasil, do governo federal, prevê R$ 300 bilhões em aportes no setor industrial e a meta de garantir que 70% dos medicamentos e vacinas consumidos no país sejam produzidos nacionalmente.
Inovação tecnológica
A inovação tecnológica tem impulsionado o ritmo de expansão da indústria farmacêutica e evidencia a necessidade crescente de investimentos em modernização de laboratórios e em processos mais rigorosos de controle de qualidade. Esse movimento acompanha a busca do setor por mais eficiência, confiabilidade e rapidez no desenvolvimento de novos produtos.
“A modernização tecnológica é o alicerce para a agilidade que o setor exige hoje. O monitoramento contínuo das variáveis medidas por equipamentos de laboratório e de processo impacta diretamente em três fatores centrais do controle de qualidade e da pesquisa e desenvolvimento: velocidade, precisão e custo. Para 2026, a tendência é uma maior integração dos equipamentos a softwares avançados, com análises em tempo real, tornando a indústria farmacêutica mais ágil, competitiva e orientada por dados”, afirma Robson Ferreira, engenheiro químico e especialista técnico da Biovera.
Segundo dados do setor, 55% das farmacêuticas brasileiras já utilizam inteligência artificial no desenvolvimento de produtos e serviços, enquanto 33% aplicam a tecnologia em análises de doenças. Entre os principais ganhos associados à inovação estão a aceleração das pesquisas, a redução de custos operacionais e a ampliação das possibilidades de tratamento.
Hábitos de consumo e envelhecimento da população
Com relação à mudança de comportamento do consumidor, que tem papel decisivo no crescimento do setor, dados da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), apontam que, entre 2024 e 2025, as vendas de suplementos cresceram 37%.
A expectativa da associação é de que o segmento de produtos para sono deve atingir US$ 3,6 bilhões até 2030, impulsionado pela busca por saúde preventiva.
Conforme previsão da IQVIA, o rápido envelhecimento da população brasileira é outro fator que deve impulsionar o mercado farmacêutico nas próximas décadas. Hoje, são 24,7 milhões de pessoas com 65 anos ou mais; em 2050, serão 50 milhões.
Expansão da rede de farmácias
O avanço da indústria acompanha a expansão da rede de farmácias no país. Enquanto há uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para cada 4.430 habitantes, existe uma farmácia para cada 2.282 brasileiros. Esse cenário favorece o varejo. Segundo o Sindusfarma, o crescimento, em valores, previsto pelas empresas nas vendas de medicamentos para o varejo é de 9,4% neste ano.
No mercado “não varejo”, as empresas estimam que as vendas cresçam 10,3% em 2026. De acordo com a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o setor faturou, em 2024, R$ 220,9 bilhões. Ainda de acordo com a Abrafarma, os medicamentos genéricos movimentaram R$ 20,4 bilhões em 2024, representando 43% de todos os produtos vendidos.
Dados da Alanac mostram que os genéricos produzidos no país avançaram de 1,9 bilhão de unidades em 2024 para 2 bilhões em 2025, representando alta de 5,3%. Os similares nacionais também mostraram expansão, subindo de 2 bilhões para 2,1 bilhões de unidades, crescimento de 5,0%. Já os medicamentos de referência cresceram 0,7%, passando de 303 milhões para 305 milhões de unidades.
O Brasil conta, atualmente, com mais de 93 mil farmácias, 47,3% pertencem às grandes redes, segundo a IQVIA. As vendas online continuam crescendo e já detém 18,7% de participação no mercado.
Produção nacional de medicamentos
A Alanac estima que o segmento de medicamentos desenvolvidos por laboratórios brasileiros seguirá crescendo. A associação calcula que o vencimento de 1,5 mil patentes até 2030 deve acelerar os ganhos para o setor. Com o fim das patentes, será possível fabricar novos medicamentos genéricos e similares.
Atualmente, essas categorias lideram o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), do varejo e de programas governamentais, sendo responsáveis por 74% das unidades vendidas.
A projeção é de que nove em cada dez medicamentos comercializados no Brasil passem a ser produzidos pela indústria nacional com a chegada desses novos produtos.

