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Como o titânio pode ser a solução para a reconstrução da Notre-Dame de Paris

Por Vinícius Mendes

Da coluna Cultura
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Arquiteto que restaurou o Colégio dos Bernardinos, na capital francesa, afirma que novo telhado da catedral pode ser construído com painéis e vigas mais leves

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A ideia que a França poderá restaurar a Catedral de Notre-Dame, em Paris, dentro de cinco anos, preocupa estudiosos que veneram a igreja de 857 anos de existência. Eles já foram a público dizer que, agora que o incêndio não foi evitado, o governo deve restaurá-la sem pressa.

A resposta estatal, até agora, tem sido contrária: a de que, com novas tecnologias, produtos químicos, ferramentas e dinheiro -- como já tem --, é possível reparar o templo sem danificá-lo.

Um dos porta-vozes da ideia é o arquiteto francês Jean-Michel Wilmotte, que ficou famoso na última década por projetar a Catedral Ortodoxa Russa de Paris, na Quai Branly, nas margens do Sena, e por restaurar o Colégio dos Bernardinos, um edifício gótico da capital francesa que tem um século a menos que a Notre-Dame.

Dessa obra, aliás, vem a resposta mais efusiva do governo e de Wilmotte sobre o telhado da catedral: usar titânio. No colégio, por exemplo, o arquiteto usou vigas de aço no teto para dar suporte às novas telhas feitas sob medida, idéia que pode ser usada no caso da igreja. Wilmotte já foi a público dizer que uma estrutura mais leve de vigas de aço e painéis de titânio pode substituir a antiga de cobre com lâminas de chumbo que foram queimadas no incêndio de abril.

A Catedral de Reims, outra obra fundamental da arquitetura gótica francesa, foi queimada durante a Primeira Guerra Mundial em um desastre de maior magnitude do que a Notre-Dame. Para restaurá-la, o arquiteto francês Henry Deneux usou um tipo de mistura de cal, cimento, areia e água que não era comum em sua época. Hoje, o telhado da igreja é parte do patrimônio histórico da França.

A expectativa de reconstrução da catedral é positiva no país: a arquiteta Christiane Schmuckle, que ajudou a restaurar a Notre-Dame de Estrasburgo, na fronteira da França com a Alemanha, disse ao jornal Le Monde que a arquitetura europeia aprendeu com os antigos engenheiros as técnicas usadas em templos como a da igreja parisiense -- mais do que isso, ela deu prosseguimento a esse conhecimento. "Um artesão do século XII que surgisse em Paris agora poderia encontrar os materiais e as ferramentas do seu ofício com as empresas de monumentos históricos do país".

"Os carpinteiros artesãos de hoje fazem um trabalho admirável, desfrutando tanto do reconhecimento dos principais arquitetos como a satisfação de ser dignos dos seus antepassados", completou.

Segundo Denis Dessus, presidente do conselho de arquitetos francês, afirmou ao jornal britânico The Guardian que os materiais e as ferramentas utilizados na construção da Notre-Dame são encontrados facilmente hoje no país -- e por isso será fácil reconstruir a igreja. Apesar disso, ele admitiu que aconselhou o governo a construir uma estrutura mais leve e flexível. "Vai ser objeto de debate a partir de agora, porque dá para fazer as duas coisas".

O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que a obra seja completada em cinco anos, a tempo dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. Para isso, o governo se ampara em homens como Wilmotte, para quem a localização da igreja na margem do rio -- o que facilitará o transporte de materiais -- e o titânio vão permitir que a capital francesa tenha sua catedral de volta até lá.

Dessus, no entanto, é crítico dessa posição. "É admirável a vontade de se colocar diante do problema, mas é preocupante o desejo de agir com tanta rapidez em um edifício tão antigo", disse. "Acho que precisamos primeiro fazer um exame completo na situação do tempo para então prever um tempo. Para estar pronto até 2024 precisaria de um trabalho feito às pressas", finalizou.

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