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Reportagem Especial Sábado, 27 de Abril de 2024, 11:28 - A | A

Sábado, 27 de Abril de 2024, 11h:28 - A | A

Reportagem Especial

Da depressão ao privilégio de ter um filho com autismo

Mãe fala dos desafios e do ressignificado que deu a própria vida

Renata Santos Portela
Especial para o Capital News

Acervo Pessoal

Da depressão ao privilégio de ter um filho com autismo

A falta de interação e a dificuldade na fala fora os primeiros sinais que levaram Flávia a buscar ajuda

Saber que o meu filho é autista foi um baque

Demorou uns anos até a dona de casa de 40 anos Flávia Flores Arruda Pires descobrir o diagnóstico do filho. “Saber que o meu filho é autista foi um baque, entrei em depressão e demorei um tempo para entender e aceitar”.

A falta de interação e a dificuldade na fala do filho foram os primeiros sinais que levaram a mãe a buscar um médico para o filho Giancarlo, na época com 3 anos. No entanto, não são só esses os sintomas que podem indicar o Transtorno de Espectro Autista (TEA). Os padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados e um repertório restrito de interesses e atividades também sugerem o diagnóstico, dizem os especialistas.

Embora Flavia tenha levado uns anos para identificar os sinais do TEA no filho, a especialista em Neurologia Pediátrica Maria Eulina diz que alguns sinais de alerta podem ser observados no 1º ano de vida. No entanto, o diagnóstico só é fechado no quarto ano, reforça.

Acervo Pessoal

Da depressão ao privilégio de ter um filho com autismo

Saber que o meu filho é autista foi um baque, mas graças a Deus entendi. Hoje ele é meu maior tesouro, afirma a Flávia

Os sinais começam na primeira infância e persistem na adolescência e na vida adulta. A condição acomete cerca de 1 a cada 36 indivíduos e 4 homens a cada 1 mulher.

Flávia lembra que quando o autismo entrou na vida dela teve vários medos, como o medo do preconceito, do que o filho poderia passar.

Para fazer as pessoas entenderem o autismo, a respeitar quem tem a condição e as famílias, foi lançada a campanha “Abril Azul”. O mês estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem o objetivo de conscientizar e envolver a população, trazer visibilidade para o tema e buscar uma sociedade mais consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva.

Com esses objetivos, o Governo de Mato Grosso do Sul, lançou o programa 'MS Acessível'. A iniciativa tem como proposta promover a Cidadania para Pessoas com Condições Ocultas ou Invisíveis, ou seja, as condições físicas, mental ou neurológica que não são visíveis ao exterior, como a deficiência visual ou auditiva.

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Da depressão ao privilégio de ter um filho com autismo

A médica fala que quando você identifica o indivíduo seja com o cordão girassol ou o cordão TEA (quebra-cabeças colorido), você busca maior flexibilidade e compreensão da sociedade

A ideia é incentivar a aceitação e a compreensão do uso do cordão de girassol. “Quando você identifica o indivíduo seja com o cordão girassol ou o cordão TEA (quebra-cabeças colorido), você busca maior flexibilidade e compreensão da sociedade, busca inclusão”, frisa a neurologista.

No início do mês também houve a publicação de um Decreto que regulamenta a Lei 5.192 de 10 de maio de 2018. O documento prevê o cadastro estadual e a carteira de identificação de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).

O governo diz que a medida quer garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas da saúde, educação e assistência social. “A carteira de identificação é uma grande conquista, buscando inclusão na sociedade, através da visualização e compreensão do diferente”, completa a médica.

O porquê meu Deus? O que eu fiz de errado na gravidez?

Flávia recorda que foram dias se perguntando, “O porquê meu Deus? O que eu fiz de errado na gravidez? Foi alguma coisa que eu comi? Alguma raiva que passei?”, acrescenta. Hoje, o menino tem 9 anos e a mãe fala que se sente privilegiada e que tem um anjo na sua vida e que o sorriso inocente dele é a sua maior motivação.

Embora tenha as suas recompensas, cuidar de uma criança com TEA é uma tarefa desafiadora, desabafou. Precisei aprender a ser forte por ele porque a vida não me deu outra opção, mas ele é o tesouro mais valioso que Deus me deu”, frisou.

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Da depressão ao privilégio de ter um filho com autismo

A falta de interação e a dificuldade na fala fora os primeiros sinais que levaram Flávia a buscar ajuda

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