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Política Quinta-feira, 06 de Outubro de 2011, 13:05 - A | A

Quinta-feira, 06 de Outubro de 2011, 13h:05 - A | A

Zeca impõe três condições ao PT para disputar prefeitura e duvida do potencial de Giroto

Valdelice Bonifácio - Capital News (www.capitalnews.com.br)

O ex-governador Zeca do PT vive a sensação do dever cumprido. Foi bancário, sindicalista, deputado estadual e governador de Mato Grosso do Sul por duas vezes. Mesmo assim, é tido como um potencial pré-candidato do PT à prefeitura de Campo Grande nas eleições de 2012.

“As pessoas sabem que eu não tenho mais pretensões. Agora, aos 60 anos, o que eu queria mesmo era começar de novo e me situar na iniciativa privada”, revela.

Mesmo assim, ele não quer fugir à batalha caso o partido precise dele. Tanto que em reunião do PT, nesta semana, colocou seu nome à disposição para concorrer no ano que vem, mas apresentou três condições.

Zeca só será candidato se for consenso no partido. “Prévias, eu não disputo”, assegura. Em segundo lugar, quer ter o apoio do senador Delcídio do Amaral “do ponto de vista político” e, por fim, a contribuição do parlamentar para “viabilizar estrutura para uma campanha de nível”.

“Eu sei o peso do Delcídio. Eu reconheço o peso político que ele tem. Ele tem que estar junto comigo. Pra mim, sair andando a pé para confirmar que eu tenho 40% dos votos não me interessa, isso eu tive no ano passado. Não tenho que provar nada para ninguém”, diz o ex-governador.

Zeca pediu prazo ao PT até o dia 17 de outubro, uma segunda-feira, quando haverá nova reunião no partido. “Se eu não sentir segurança em relação a estes três pontos, no dia 17, eu anuncio formalmente a minha desistência em concorrer”, relata.

Em busca de entendimento

Apesar da recente troca de farpas públicas, Zeca demonstra vontade de se entender com o senador pelo bem do partido.

“Não tenho absolutamente nada contra o Delcídio. Não faço política olhando para a questão pessoal. Não precisa ninguém gostar de ninguém. Precisa ter convergência de idéias, de conceitos, de posição ideológica, de afinidade política e não pessoal. Não precisa gostar de mim. Eu não tenho nenhuma dificuldade de conversar”, garante.

Porém, Zeca ressalta que pretende costurar um entendimento sincero com Delcídio. Não quer reviver a campanha eleitoral de 2010 quando concorreu ao governo pela terceira vez.

“Fiz uma campanha com o PT todo dividido. O pessoal do Delcídio não fez campanha. Enfrentei uma máquina poderosa, isso da política. Mesmo assim, fiz 42% dos votos”, disse.

Porém, apesar de tudo considera que o partido saiu-se bem das eleições. Ele revela que até para o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço positivo do PT em MS.

“Um dia desses, eu falei com o Lula e relembrei que em 2009 eu havia dito a ele que o PT tinha que ter candidato e que este era eu (...) O PT saiu de pé das eleições. Apesar das debilidades, fizemos 42% dos votos, elegemos sete deputados estaduais e dois federais. Se tivesse um pouco mais compromisso a nossa chapa elegeria o segundo senador. O PT se preservou”, diz satisfeito.

Evitando reacender polêmicas, Zeca não comenta as declarações de Delcídio segundo a quais, o ex-governador estaria diminuindo dentro do PT.

“Eu não sei disso. Tem que perguntar para ele, qual é o conceito de espaço dele. Que interesse tem nesta história de se diminuir espaço? Minha briga não é com ele, é com quem está lá fora, é com o PMDB, é com PSDB, enfim”, salienta.

Giroto não tem potencial

Provável candidato do grupo do governador André Puccinelli à prefeitura de Campo Grande, o deputado federal Edson Giroto não é visto como um nome com potencial pelo ex-governador.

“Giroto é fraco. Dizem que ele teve muitos votos para deputado federal. Com um terço do que ele gastou na campanha, eu ganharia com o pé nas costas do André ou de quem fosse”, afirma.

Para o ex-governador, a eleição de Giroto para deputado federal é fruto do poderio econômico não de expressividade eleitoral.

“Ele foi construído pelo esquema. Uma coisa é ter voto, esse orgulho eu tenho. Eu sempre digo assim: o André em algum lugar da cabeça maquiavélica dele, sabe que no mano a mano não me ganha. Ganha na grana. Coloca eu, o André e o Nelsinho no mesmo patamar, todo mundo nas mesmas condições. Veja nas ruas quem é capaz de tocar no imaginário das pessoas”, desafia.

Enigma dos Trad vale um bombom

O ex-governador promete lançar uma campanha no site dele na internet para entender os motivos pelos quais, a família Trad não tem um candidato à prefeitura de Campo Grande para as eleições de 2012.

“Como é que uma família que tem o prefeito em segundo mandato, um irmão deputado federal, um primo federal, um irmão estadual e outro primo presidente da Câmara não tem um candidato? A sociedade tem que indagar”, questiona.

“Eu acho medíocre. Não consigo entender. Deve ter alguma sociedade, por aí, que orienta isso tudo (...) Vou lançar no meu site uma promoção. Ganha um bombom quem me explicar porque que os Trad não têm candidato”, brinca.

O prefeito Nelsinho Trad (PMDB) pretende apoiar o mesmo candidato que o governador André Puccinelli (PMDB) como forma de manter unido o grupo político.

As declarações do ex-governador Zeca do PT foram prestadas ao Capital News em entrevista exclusiva no escritório político dele, no centro de Campo Grande.

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