Os médicos da rede pública de Campo Grande estão contestando o descaso da Secretária de Saúde e da Prefeitura em relação às negociações de reajuste salarial, que segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS) já foram várias tentativas frustradas de diálogo com os órgãos para tratar sobre as reivindicações da categoria.
O presidente do sindicato, Valdir Siroma, disse a reportagem do Capital News que os profissionais enviaram uma proposta a Sesau e mesmo data estipulada, não receberam a contra proposta. “O secretário Jamal alegou que não teve tempo hábil para avaliar a proposta, isso depois de passar os 20 dias úteis combinados”, explica.
Diante dos fatos a classe médica decidiu em assembleia por paralisação dos atendimentos básicos na rede pública, mantendo apenas urgência e emergência que deve acontecer entre os dias 30 e 31 deste mês, por 48 horas, caso nenhuma contraproposta da prefeitura seja apresentada até a data. Os medico informam que irão manter ativos apenas os serviços de urgência e emergência, assim como 30% dos demais atendimentos nas Unidades de Saúde da Capital, na forma exigida pela Lei.
O presidente argumenta que esse não é um desejo da classe, uma vez que quem sempre perde é a população. "Há mais de um mês estamos tentando falar com o prefeito para saber como ficará a situação dos profissionais, e a contraproposta em relação a nossa negociação salarial, mas até o momento o que sentimos foi um grande descaso. Estamos tentando fazer de tudo para um acordo, e evitar a paralisação, mas a falta de interesse do poder público em negociar nos deixa sem opções", esclarece Siroma.
Pela proposta aprovada em assembleia o Sinmed-MS formará uma comissão de negociação composta por membros da diretoria do sindicato e outros médicos não dirigentes, que atuam na Sesau (Secretaria de Saúde), para solicitar que seja agendada audiência com o prefeito, juntamente com os secretários municipais de Saúde e de Administração, no prazo máximo de 10 (dez) dias, a contar da data que recebimento do ofício, que aconteceu nesta quinta-feira (12). “Esta será nossa última tentativa de demonstrar boa vontade em promover tratativas no sentido de entabular um acordo em relação ao reajuste salarial e demais reivindicações já encaminhadas. Agora cabe ao prefeito decidir", conclui.
Corte nos Plantões:
Sobre os cortes de plantões previsto para a próxima segunda-feira (16), para atender a ordem de economia das pastas, vindas do prefeito Gilmar Olarte, que devem ser R$5 milhões na Saúde, o presidente do Conselho de Medicina reforça que novamente quem vai perder é a população. “Os plantões existem porque não tem funcionários o suficiente, então é necessário usar soluções alternativas, se cortar esses plantões vai acontecer o que: vai congestionar ainda mais a saúde, o atendimento vai demorar mais do que demora”, destaca.
Os cortes foram anunciados pelo superintende de Saúde, Vigílio Gonçalves, na manhã desta sexta-feira (13).
Diante dos fatos, vários setores da saúde ameaçaram entrar em greve e com a pressão, a Prefeitura de Campo Grande recuou com a decisão decidiu manter os plantões dos servidores do setor até, pelo menos, abril.
