Diante do impasse entre o poder público, médicos de Campo Grande e o retorno da paralisação dos médicos na manhã desta sexta-feira (15) as consequências já chegaram aos postos de atendimento, principalmente à população.
Deurico Ramos/Capital News
Dona Clarisse Fernandes da Silva, 57 anos, aposentada recebeu a notícia sobre a greve nesta sexta-feira (15) de manhã
Dona Clarisse Fernandes da Silva, 57 anos, aposentada, chegou ao posto às 6 horas da manhã no posto da Coronel Antonino e recebeu a notícia sobre a paralisação. “Eu cheguei cedo e já recebi essa informação de que os médicos estavam em greve. Eles pararam esses dias e agora de novo? Eu não consigo entender como a prefeitura não se posiciona, não resolvem essa situação, não passam aqui nos postos de saúde para ver como as coisas estão complicadas. Está horrível, tem que ter respeito pelos idosos, tem que ter respeito pelas pessoas, a população não pode sofrer as conseqüências dessa greve“, desabafa a aposentada.
Uma colaboradora do funcionalismo público municipal que preferiu não ter seu nome divulgado, trouxe a mãe que passou mal durante a madrugada dessa sexta-feira (15). “Eu acho que os médicos estão no direito deles de protestar por que eu acredito que tem outras formas do prefeito conseguir esse dinheiro. Ele cortou do lado errado, ele cortou do lado dos trabalhadores. O médico trabalhou muito, estudou muito para chegar onde chegou, não é justo com a população mas também não é justo com os médicos”, diz a funcionária.
Deurico Ramos/Capital News
Aposentado, Cirino Godoi (68 anos) trouxe a esposa no posto e espera por atendimento
Cirino Godoi de 68 anos, aposentado, trouxe a esposa e está aguardando atendimento no posto. “A gente fica o dia inteiro, sem comer e sem beber esperando a boa vontade de alguém sem termos uma solução. Trouxe minha esposa que está com tosse, febre, problema de dor nas costas e eu queria ver se consegue tirar um raio-X. Ela teve um AVC então tenho que acompanhar, é preciso que as pessoas não fiquem esperando para serem atendidas. Sem greve é ruim, imagina com greve. A prefeitura tem que se posicionar pois esses profissionais salvam vidas e a coisa é muito séria”, comenta o aposentado.
Taciane Peres/Capital News
Presidente do sindicato dos médicos, Valdir Siroma fala sobre exigências da categoria em relação a prefeitura
Segundo o presidente do sindicato dos médicos de Mato Grosso do Sul, Sinmed-MS, Valdir Shigueiro Siroma, a paralisação tem como objetivo cobrar uma solução entre o repasse aos médicos pela prefeitura. “A greve retornou devido a uma falta de compromisso do poder público com a saúde. Ocorreu um acordo e estávamos esperando que as coisas fossem cumpridas. Quero deixar bem claro que vamos deixar 50% dos atendimentos nos postos e tendo alguma urgência nós vamos atender. Existem pacientes hipertensos, diabéticos e a gente sabe que doença não escolhe hora. Infelizmente quem sofre é a população por esse descaso na saúde. Teremos uma reunião hoje (15) com o Ministério Público para cobrar providencias a respeito dessa situação com a prefeitura”, aponta o presidente.
De acordo com a categoria, será mantido o atendimento de 50% do efetivo médico nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e CRS´s, realizando rodízio entre os plantonistas. Todos os pacientes que procurarem uma unidade de saúde, passarão por triagem e atendimento médico, sendo liberados após consulta adequada. O Sinmed-MS ainda aguarda uma resposta judicial ao processo iniciado pela prefeitura contra o movimento de greve.



