Os veterinários deverão visitar 30 fazendas, escolhidas aleatoriamente. Serão observados o número de animais em cada estabelecimento e o número de animais que constam no banco de dados do Ministério de Agricultura como aptos para exportação, além de procedimentos de criação do gado.
Os veterinários observarão se todo o gado de cada fazenda possui uma marca de identidade aprovada pela União Européia e documentação registrando seus movimentos de entrada e saída nos estabelecimentos. Falhas no sistema brasileiro de rastreamento de gado, apontadas pela missão anterior da FVO, são a principal preocupação da União Européia em relação à carne que compra do País.
As inspeções devem terminar no dia 11 de março, mas a equipe européia ficará no Brasil por mais três dias, reunindo-se com representantes do governo.
De acordo com os procedimentos habituais, o resultado de inspeções veterinárias demora mais de dois meses para ser divulgado. No entanto, um alto funcionário europeu afirma que este é um caso "excepcional". "Não queremos especular quanto tempo levaremos para ter uma decisão, mas certamente será mais rápido do que o habitual", afirmou. "Não esperaremos dois meses para levantar a proibição (das exportações)."
Entenda o caso
A apresentação de uma lista de cerca de 200 propriedades atende ao pedido das autoridades européias. Uma primeira lista de 2.681 fazendas foi apresentada em janeiro em Bruxelas, mas os países do bloco não aceitaram a relação. A apresentação de uma lista muito maior do que o esperado levou a UE a suspender as importações de carne do Brasil a partir do dia 1º de fevereiro. Uma segunda lista, apresentada na semana passada em Bruxelas, trazia cerca de 520 propriedades.
A visita dos veterinários europeus foi tema de reunião realizada na quarta-feira, 20, em Brasília, entre governo e representantes da iniciativa privada. Após reunião do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), representantes do governo não deram declarações à imprensa.
Apesar das declarações de que a reunião foi positiva, representantes da iniciativa privada defenderam que o governo defina "claramente" os papéis de cada elo da cadeia produtiva da carne. Representantes da iniciativa privada disseram que aceita dividir responsabilidades, desde que o governo exerça seu papel fiscalizador.
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