O projeto que obriga a vacinação contra a brucelose nas vacas com idade de três a oito meses foi criado há dez anos pelo Ministério da Agricultura. Porém, em Mato Grosso do Sul a falta da vacina faz com que muitos animais deixem de ser vacinados, colocando em risco a vida dos bezerros e até dos humanos.
Em Mato Grosso do Sul diminuiu bastante a ocorrência de brucelose depois do controle rigoroso da vacinação. Porém, desde o início do ano o produto está em falta nas prateleiras das lojas agropecuárias e os produtores não aplicaram as vacinas nos animais, fato este que acontece na época da vacinação contra a febre aftosa, onde os produtores aproveitam o manejo do gado para aplicar a vacina.
A diretora-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Maria Cristina Galvão Rosa Carricho, conta que as vacinas estão sendo colocadas aos poucos no mercado mas que não estão sendo o suficiente para suprir a demanda do Estado. “Nunca aconteceu de faltar, deve ter acontecido algum problema na fabricação da vacina que é controlada pelo Ministério da Agricultura”, comenta a diretora.
“O Ministério da Agricultura nos disse que algumas partidas da vacina estavam fora da especificação mínima e foram condenadas. Só que é preciso ter reserva técnica, isso normalmente existe. Mas esperamos que a situação se normalize o mais rápido possível”, desabafa.
A brucelose pode causar alto prejuízo econômico para o produtor. “A doença provoca aborto em fêmeas adultas, o que gera prejuízo economicamente grande. A criação para o produtor é o lucro, se o bezerro morre, o produtor acaba ficando sem esse lucro. A doença tem uma significância econômica grande no contexto pecuário”, informa Maria Cristina.
“Mato Grosso do Sul é um Estado agropecuário onde é bem significante a parte de gado, então, colocando o gado em risco, coloca em risco a produtividade. É perigoso, pode dar perda que até no momento nem calculamos, mas depois com a baixa produtividade é que vamos ver o tamanho do problema”, detalha.
Por não ser uma doença aguda, a brucelose pode demorar algum tempo para ser diagnosticada na vacas. “Ela é uma doença perigosa e silenciosa. Quando o produtor vai analisar porque a produção caiu é que ele descobre que as vacas estão doentes”, diz a diretora do Iagro.
A doença pode ainda afetar os humanos e está ligada à área de atuação. “Por exemplo, se o veterinário é chamado para atender um parto, a luva rasgar e a pele dele entrar em contato com o animal contaminado, o médico vai ser contaminado. Por isso doença é pesquisada em quem está na lida”, relata.
A contaminação nos humanos pode acontecer por ingestão de leite sem pasteurizar ou carne crua contaminada. Os sintomas da brucelose são parecidos com os da gripe. “Quando contaminada a pessoa sente dores na corpo, febre de 38ºC graus e dor de cabeça. Após alguns dias ela sente uma melhora e acha que foi apenas uma virose”.
A brucelose tem predileção por tecido nervoso, entra no organismo e vai se instalando, aí começa a dar dores articulares e nos homens pode provocar orquite (inchaço dos testítulos que pode levar a esterilidade). Se o indivíduo passar 15 anos com a infecção no organismo por exemplo, ele vai ter o sistema nervoso comprometido.
Para diagnosticar a doença é necessário procurar um médico bacteriologista ou infectologista e realizar o tratamento, que, se feito corretamente e ainda no começo pode ser tratada.
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