Há aproximadamente dez anos o Javaporco tem dado muita dor de cabeça para produtores rurais de Mato Grosso do Sul, principalmente na região da Grande Dourados, onde há muita plantação de milho e cana-de-açucar. Para conter a ação do animal, responsável por dar grandes prejuízos nas lavouras, o híbrido originário do cruzamento do Javali com suínos criados em sítios e fazendas, se tornou alvo de estudo da Embrapa Agropecuaria Oeste, que pretende descobrir o tamanho populacional e a forma com que a espécie vive.
"Queremos descobrir como é o deslocamento dele durante o verão. Por exemplo, ele não come soja, como ele está se alimentando agora, já que tem pouco milho no campo? Como ele sobrevive, sabemos que ele está lá e precisamos estudá-lo para chegar exatamente até ele", detalhou o Administrador Rural da Embrapa, Euclides Maranho.
Durante a realização do Showtec, no último dia 23 em Maracaju, Euclides proferiu palestra com o tema Avaliação de danos por javalis em lavouras de milho. Na mesma oportunidade foi realizado um painel sobre os impactos do animal na agricultura de Mato Grosso do Sul. A discussão contou com a presença de membros da Embrapa Suínos e Aves e da Polícia Militar Ambiental.
Segundo Euclides, a análise da Embrapa está em andamento e alguns dados já foram levantados. Entre as informações existe a confirmação que o Javali é de origem europeia, e entrou no Brasil pelo Estado do Rio Grande do Sul, depois de ingressar na Argertina. O Administrador Rural relata que o animal migra para lugares diferentes e se adapta com facilidade.
"Ele ataca o adubo da soja para consumir o sal. Então onde ele vai ele destrói. Sem falar dos danos ambientais, pois ele vai até as várzeas e áreas de proteção permanente, pequenos córregos e nascentes de águas. Ele busca por esses lugares para comer minhocas e moluscos. Além de dar prejuízos aos produtores, ele também danifica o meio ambiente", complementou.
O primeiro ataque de Javali em lavouras foi registrado em 2006, na região de Rio Brilhante, onde o animal teria fugido de uma propriedade e ido para a natureza. Euclides explica que com essa fuga o Javali puro se acasalou com suínos e o resultado foi uma prole com cria de 10 a 12 filhotes. Conforme Euclides, a espécie tem um crescimento fantástico, que tem sido percebido a cada ano, pois aqui no Estado o animal encontra fartura e local para abrigar-se.
De acordo com a Embrapa Agropecuária Oeste a Legislação atual até permite o abate e o extermínio da espécie, mas verificou-se que os métodos aprovados não mostraram eficiência significativa para que haja a redução dos animais. Entretanto, encontros para tratar o assunto já foram realizados no Estado.
"Já fizemos um encontro em Dourados com a PMA e o Ibama e entendemos que é o momento de todos se juntarem. Vemos o reflexo no ICMS do Estado e a demanda do produtor, que terá menos oferta", exemplificou.
Em uma prévia do estudo, Maranho contabilizou que em uma área de dez lavouras a média de perda na colheita ocasionada pela ação dos Javaporcos foi considerável. Onde o produtor colhia 100 sacas de milho, após o ataque dos animais ele colhe 84 e o Javaporco consome 16 sacas. Além de Mato Grosso do Sul, o animal já foi localizado em outros 16 estados do Brasil.
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