O problema de abastecimento de madeira nobre no médio e longo prazo devido à baixa velocidade no reflorestamento de áreas para atender o setor moveleiro é uma preocupação que especialistas antevêem para os próximos anos, o que pode gerar desemprego e perda de investimentos no campo.
O Projeto Biomas, no Componente Cerrado, apoia dois subprojetos que buscam resultados para a demanda do mercado madeireiro, como o cultivo de palmeiras guariroba e pupunha, consorciadas a cultura do mogno. Os dois subprojetos foram implantados na área experimental do Projeto Biomas no Cerrado, na Fazenda Entre Rios, próxima a Brasília, e tem a finalidade de mostrar aos produtores rurais que o setor de florestas pode ser tão ou mais lucrativo quanto às outras culturas tradicionais.
A proposta é baseada na ideia de que o produtor busca ter renda durante todo o ano com o plantio das espécies anuais, sendo que o plantio de espécies madeireiras, como o mogno africano, só vai trazer resultados (lucro) em aproximadamente 20 anos. Dessa forma, foi implantado um consórcio de mogno com a guariroba, palmeira nativa do Cerrado que pode ser colhida em quatro anos.
A madeira consorciada com outras espécies traz grande lucratividade, possivelmente de até seis vezes superior à da agricultura convencional no mesmo período, e tem um custo de investimento relativamente baixo. O que pode ficar mais caro são a implantação (mudas e plantio) e a manutenção ao longo dos quatro primeiros anos.
Para cada hectare seriam gastas 400 mudas de mogno, a um custo médio de R$ 5 cada, representando um investimento em torno de R$ 2 mil/ha, mais os custos para plantio e limpeza da área e controle de invasoras e formigas. Futuramente o produtor pode vender a madeira de várias formas, sem que seja necessário retirar todas as árvores ao mesmo tempo. O projeto foi implantado há cerca de dois anos, e tem sido observado um ótimo desenvolvimento da Guariroba.
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