Priscilla Mendes/MAPA
Ministra da Agricultura, Kátia Abreu e equipe se reuniu com ministro da Agricultura da Rússia, Alexander Tkachev, em Moscou
A Rússia abriu o mercado de leite em pó para o Brasil. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (8), durante visita da ministra da Agricultura e Pecuária (Mapa), Kátia Abreu a Moscou. Com a medida, onze empresas brasileiras receberam autorização do Ministério da Agricultura da Rússia para exportar leite em pó. A iniciativa foi comemorada pelo setor de lácteos e será a primeira vez que o Brasil venderá o produto à Rússia.
Conforme o Mapa, a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) espera atingir, a médio prazo, metade do mercado russo, que importa anualmente 630 mil toneladas de leite em pó - equivalente a US$ 1,2 bilhões. Para o diretor executivo da entidade, Marcelo Costa Martins, a superação da burocracia e a credibilidade do sistema de defesa do Brasil foram essenciais para a conquista do setor. “Sem nenhuma dúvida, é uma conquista para o setor. O importante agora é que as empresas habilitadas iniciem seus processos de exportação. Com a abertura para o leite em pó, conseguiremos inclusive alavancar a venda de outros produtos, como queijo e manteiga”, disse Marcelo Costa Martins.
A secretária de Relações Internacionais do Agronegócio, Tatiana Palermo, também se reuniu nesta quarta-feira, com o chefe do Serviço Veterinário e Fitossanitário Federal da Rússia, Sergey Dankvert, e sua equipe para acertar os detalhes do acordo, que estava em negociação desde fevereiro.
O leite em pó fará parte de protocolo de prelisting entre as duas pastas, o que significa que empresas brasileiras poderão ser autorizadas a exportar sem necessidade de fiscalização prévia, desde que atendam aos requisitos da legislação daquele país. A autoridade russa averiguará quando julgar necessário. “Temos todas as condições de atingir 50% do mercado russo no médio prazo”, afirmou Kátia Abreu, ao se reunir com o ministro da Agricultura da Rússia, Alexander Tkachev.
Segundo Kátia Abreu, o Brasil exporta apenas 1% da produção, que em 2014 foi de 37 bilhões de litros. “Aumentamos nossa produção anual em 5% e nosso consumo avança apenas em 3%. Por conta desse descompasso, temos que aumentar e diversificar nossas exportações”, disse a ministra.
A Viva Lácteos comemorou a medida. A associação faz parte da comitiva de empresários que acompanha a ministra a Moscou. Os deputados Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG) e Irajá Abreu (PSD-TO) e o senador Wellington Fagundes (PR-MT) também participam da missão, além do diretor superintendente do Sebrae de Tocantins, Omar Hennemann.
A exportação de tripas à Rússia também entrará no acordo de prelisting. Em contrapartida, o Ministério da Agricultura concluiu as análises para liberar a importação de pescado e de trigo da Rússia, pedido que se arrastava na burocracia. Metade do trigo consumido no Brasil é comprada de outros países. “Atualmente compramos trigo de países que não têm comércio intenso com o Brasil, como o Canadá. Vamos mudar isso e priorizar os mercados que nos oferecem reciprocidade, como é o caso da Rússia, um dos principais destinos de carnes bovina, suína e de aves”, afirmou a ministra Kátia Abreu.
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