O crescimento constante do fluxo de turistas e do comércio mundial aumenta os riscos da entrada de novas pragas no Brasil. Para se ter uma ideia dos prejuízos que a introdução de uma praga pode causar à agricultura, basta ver o exemplo de uma lagarta recém-introduzida no Brasil: a Helicoverpa armigera, que surgiu nesta safra de 2013, e causou prejuízos superiores a R$ 2 bilhões, principalmente em lavouras de soja e algodão.
Não se sabe ao certo como ela entrou no Brasil. A hipótese mais provável é que tenha sido em flores ou plantas ornamentais. Mas o fato é que a praga agora está aqui e pode causar danos a mais de 30 culturas, incluindo: soja, laranja, algodão, quiabo, cebola, melão, morango, batata doce, alface, tomate, maçã, feijão, batata e milho, entre outras.
Para enfrentar os prejuízos ocasionados por essa e outras pragas, que dizimaram lavouras brasileiras em um passado recente, como o bicudo do algodoeiro e a ferrugem da soja, são gastos bilhões e bilhões de reais em produtos químicos e, na maioria das vezes, os danos são irreversíveis, levando milhares de produtores à falência.
Por isso, o ideal é investir na prevenção para evitar que pragas exóticas – que não ocorrem no Brasil – entrem e causem estragos aos cofres nacionais e coloquem em risco a segurança alimentar, afirma a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Essa prevenção tem nome: chama-se quarentena vegetal e conta com a participação efetiva da empresa. Desde a sua criação em 1973, a Embrapa desenvolve procedimentos de importação e quarentena dos materiais genéticos vegetais destinados aos programas de melhoramento do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) por delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Segundo a pesquisadora Abi Marques, que trabalha na quarentena vegetal há mais de 20 anos, 85% das plantas que chegam ao Brasil para fins de pesquisa estão contaminadas com pragas. A quarentena é parte do procedimento de “exclusão” de uma ação de controle, ou seja, cumpre a tentativa de manter as pragas fora de determinada área onde não ocorrem.
“A exclusão é, tecnicamente, a melhor opção para evitar a disseminação de pragas”, explica Marques.
Um mapeamento recente, realizado em parceria com a Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), identificou 10 novas pragas com reais possibilidades de entrar no Brasil. O estudo levou em consideração a proximidade geográfica de ocorrência das pragas e a importância econômica das culturas agrícolas que podem ser infectadas.
São elas: pulgão da soja; mosca-branca “raça Q”; necrose letal do milho; monilíase do cacaueiro; amarelecimento letal do coqueiro; Striga; ferrugem do trigo; mosaico africano da mandioca; ácaro chileno das fruteiras e Xanthomonas do arroz.
Para enfrentar esses desafios, a Embrapa criou uma nova unidade exclusivamente voltada à quarentena de plantas. O objetivo é modernizar a análise das sementes e outros materiais de propagação que são introduzidos no País ou intercambiados com outras instituições de pesquisa.
A nova unidade, denominada Embrapa Quarentena Vegetal, está sendo gerenciada pela pesquisadora Abi Marques e funciona dentro da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.
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