MArcelo Camargo/Agência Brasil

Embrapa apresenta agenda estratégica para agricultura e propõe prioridades para próximos governos
A Embrapa divulgou uma agenda estratégica com recomendações de políticas públicas para a agricultura brasileira e sugestões de prioridades para candidatos aos cargos dos poderes Executivo e Legislativo nas eleições de outubro.
O documento “Agenda estratégica para agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação” é baseado em evidências científicas e defende a ampliação e a estabilidade dos investimentos em ciência, tecnologia, inovação e inclusão socioprodutiva.
Segundo a Embrapa, o setor agropecuário tem papel estratégico na economia, na segurança alimentar e na adaptação às mudanças climáticas, além de contribuir para a transição energética e o desenvolvimento territorial.
Agro tem participação expressiva na economia
De acordo com a publicação, o agronegócio brasileiro movimentou R$ 3,2 trilhões em 2025, o equivalente a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
As atividades relacionadas ao campo empregaram 28,4 milhões de pessoas no ano passado. No mesmo período, o Brasil exportou US$ 169,2 bilhões em produtos do agronegócio, representando 48,5% das vendas brasileiras ao exterior.
A Embrapa também destaca investimentos em melhoramento genético de sementes, com pesquisas voltadas ao desenvolvimento de cultivares mais tolerantes a condições como seca, calor, excesso de água e salinidade.
A empresa estima ainda que cada R$ 1 investido na Embrapa gere retorno de R$ 27,12 para a sociedade brasileira.
Seis temas são considerados estratégicos
A agenda apresentada pela Embrapa estabelece seis áreas prioritárias para o desenvolvimento da agricultura:
• Segurança alimentar e nutricional;
• Agricultura sustentável e resiliência às mudanças climáticas;
• Bioeconomia e desenvolvimento sustentável;
• Transição energética e bioenergia;
• Desenvolvimento territorial e inclusão produtiva no meio rural;
• Transformação digital no campo.
Entre os pontos defendidos está a redução da dependência brasileira de insumos importados.
Segundo a Embrapa, a falta de investimentos contínuos em pesquisa, inovação e inclusão produtiva aumenta a exposição do setor a problemas climáticos, sanitários e geopolíticos.
Sustentabilidade e tecnologia
O documento também aponta oportunidades para o Brasil ampliar sua participação na economia de baixo carbono por meio de investimentos em bioenergia, biocombustíveis, biogás, biometano e bioinsumos.
A Embrapa avalia que essas áreas podem contribuir para agregar valor à produção agropecuária, diversificar a matriz energética e estimular o desenvolvimento regional.
Outro destaque é a transformação digital no campo. Tecnologias como inteligência artificial, Internet das Coisas, sensoriamento remoto, automação, sistemas geoespaciais e agricultura de precisão são apontadas como ferramentas que estão modificando a atividade agrícola.
Para a empresa, a ampliação da conectividade rural é fundamental para acompanhar esse processo de modernização.
Papel dos poderes Executivo e Legislativo
A agenda também apresenta sugestões sobre a atuação dos poderes públicos. Para o Executivo, a Embrapa defende uma estratégia voltada ao desenvolvimento rural sustentável, à competitividade, à segurança alimentar e à inclusão produtiva.
Já o Legislativo teria papel importante na definição de regras institucionais, regulatórias e orçamentárias, garantindo estabilidade das políticas públicas e maior previsibilidade para investimentos de longo prazo.
A publicação da Embrapa busca, dessa forma, oferecer subsídios técnicos para a elaboração de programas de governo e propostas legislativas relacionadas ao setor agropecuário.
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