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Rural Domingo, 28 de Dezembro de 2025, 15:52 - A | A

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Crescimento

Agricultura familiar amplia presença na merenda escolar em Mato Grosso do Sul

Compras pelo PNAE superam exigências legais, fortalecem economia local e garantem alimentação mais saudável aos estudantes

Elaine Oliveira
Capital News

A alimentação escolar em Mato Grosso do Sul segue fortalecendo a economia local e garantindo refeições mais nutritivas para os estudantes da Rede Estadual de Ensino (REE). As compras da agricultura familiar, realizadas por meio da Chamada Pública do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), já superam os percentuais mínimos exigidos pela legislação federal e movimentam diretamente a produção de mais de 1.700 agricultores em todo o estado.

Dados oficiais mostram que, em 2024, o Estado alcançou 57% de aquisição da agricultura familiar, com investimento de R$ 16,5 milhões. Em 2025, o índice avançou para 65%, totalizando R$ 17,7 milhões. O crescimento evidencia o compromisso da Rede Estadual de Ensino com o fortalecimento do campo, a valorização da cultura alimentar regional e a promoção da sustentabilidade.

Para quem produz, vender para a alimentação escolar representa segurança e reconhecimento. O agricultor familiar Janilson Domingos, há quase 20 anos na atividade, afirma que fornecer para a merenda escolar sempre foi um sonho. “A merenda escolar dá estabilidade. Todo ano tem aula, então sempre vamos ter entrega. Antes, com programas como o PAA, dependíamos da liberação anual de recursos. Agora, com a escola, é uma garantia real de renda”, destaca. Ele produz semanalmente entre 250 e 300 quilos de abobrinha, berinjela e couve e já planeja ampliar a produção com alface e cheiro-verde.

Outro exemplo vem do produtor Roberval Sebastião da Silva, que encerra seu primeiro ano como fornecedor da rede estadual. Segundo ele, a venda direta às escolas transformou a rotina no campo. “Hoje a gente planta sabendo para onde vai levar. Antes eu tinha que procurar mercado, era difícil. Agora entrego tudo para a merenda escolar, toda semana, com produto fresco. É o melhor resultado que já tive com mais de 30 anos na agricultura familiar”, relata.

A política também impulsiona comunidades tradicionais. A presidente da Associação da Comunidade Quilombola Chácara Buriti, Lucinéia de Jesus Domingos Gabilão, explica que a entrada na Chamada Pública da Rede Estadual, em 2025, foi decisiva para ampliar a renda e evitar perdas. “Somos 42 produtores na comunidade, mas começamos com 6 entregando para 9 escolas. Antes, muita produção se perdia por falta de mercado. Agora temos demanda garantida e conseguimos escoar alimentos frescos e de qualidade”, afirma. Para 2026, a meta é incluir todas as famílias da comunidade e atender ao menos 30 escolas da capital.

No centro dessa política está a valorização da cultura alimentar regional e dos saberes do campo. A coordenadora de Alimentação Escolar da Secretaria de Estado de Educação (SED), Adriana Rossato, ressalta que a agricultura familiar aproxima os estudantes de uma alimentação saudável e conectada ao território. “Aquilo que é produzido na região chega à mesa dos alunos. Em muitos casos, quem produz são pais de estudantes. É um ciclo que une inclusão, saúde, renda e identidade”, afirma.

As escolas recebem semanalmente frutas, hortaliças, legumes, raízes, pães e outros alimentos frescos, que compõem cardápios elaborados por nutricionistas, respeitando sazonalidade, hábitos regionais, faixa etária e a legislação sanitária. O fornecimento contínuo garante variedade, qualidade nutricional e vínculos diretos entre escolas e produtores locais.

Para o secretário de Estado de Educação, Hélio Daher, a compra da agricultura familiar representa uma política pública permanente e transformadora. “Quando a escola compra da agricultura familiar, ela não está apenas adquirindo alimentos. Está apoiando famílias, fortalecendo comunidades, valorizando a produção local e garantindo comida fresca e de qualidade para nossos estudantes. É uma política que movimenta a economia regional e transforma realidades no campo e na escola”, destaca.

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