O resultado do primeiro turno da eleição presidencial, com vitória do Flávio Bolsonaro com 2% de diferença para Lula da Silva, aguçou os rentistas e outros parasitas da nação. Nesta segunda feira (05 de outubro) o chamado mercado ou o conjunto dos rentistas, incluindo o setor industrial e do agro, que mesmo sendo parte do setor produtivo se inclui neste conjunto, levaram a dois acontecimentos que são reveladores das reais intenções do grupo que venceu o primeiro turno.
O primeiro caso foi a queda do dólar para U$ 4,95 sinalizando que haverá um ajuste fiscal brutal, como já sinalizado no seu programa de governo o cortes nos investimentos sociais, que asseguraria o pagamento de um valor maior de serviço da dívida pública (juros e amortizações). O segundo caso foi a valorização da Bolsa de Valores em 20%, tendo como destaque as ações do Banco do Brasil e da Petrobrás. Na Petrobrás, a PETRJ550 avançou 164,04%, enquanto a PETRJ541 ganhou 148,59%. No Banco do Brasil, a BBASJ270 terminou o dia com valorização de 144,29%. Tivemos também o crescimento em outras ações, mas vamos nos ater a essas duas instituições estatais que cumprem um papel importante e que representam uma grande fatia dos capitais que atuam na bolsa de valores. Enquanto isso, no outro lado ações da Vale recuaram entre 22,75% e 46,92%.
Este fato revela que o chamado mercado já tem iniciado o processo de compra de ações destas duas instituições, visando adiquirir agora maior participação acionária para futura privatização. Dentro disso, podemos destacar que entre os interessados temos as petroleiras mundiais, os grandes bancos estrangeiros, sem deixar de mencionar o dinheiro do crime organizado e o dinheiro das BETs que pretendem assumir parte destas instituições públicas numa nova dimensão de lavagem de dinheiro.
Tal processo poderia significar a desnacionalização de grande parte da riqueza nacional com consequência direta sobre o preços dos combustíveis, como ocorreu nas refinarias da Bahia e no Amazonas. Não podemos esquecer que no período do governo anterior varias fábricas de fertilizantes foram fechadas e reabertas no período do atual governo.
Durante a guerra da Ucrânia foi revelado quanto isso tornou vulnerável para o setor do agronegócio a dependência de fertilizantes vindos da Rússia, elevando o custo de produção. Para tanto, precisamos resgatar o essencial do programa de governo Bolsonaro, que levou a privatização da BR Distribuidora e das refinarias na Bahia e no Amazonas. Sem esquecer que naquele momento, o governo tinha como meta a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
Tão grave quanto essas privatizações seria o retorno do PPI (Preços de Paridade de Importação), vinculando os preços dos combustíveis à variação do preço do petróleo e do dólar. No governo anterior, essa variação permitiu que a gasolina atingisse o valor acima de R$ 9,00, persistente o gatilho no processo inflacionário com elevação do peso do item transporte na deternimação do índice de inflação. Temos que lembrar que a privatização da BR Distribuidora, ocorrida naquele momento, acabou retirando a possibilidade de conter os preços cartelizados das demais distribuidoras, já que a redução dos preços da Petrobras não seria revertido nos postos. A privatização da BR Distribuidora abriu espaço para que dinheiro do crime organizado acabasse destinado a aquisição de um mil e seissentos postos de gasolina, conforme revelado pela Polícia Federal.
Neste contexto, a eleição no primeiro turmo confirma que temos uma candidatura que está mais preocupado e alinhado com o slogan América Primeiro, de Trump. Além disso, temos a repetição da proposta do Jair Bolsonaro com a incorporação da programa político adotado pelo presidente Milei da Argentina que permitiou até à venda de território argentino para grupos estrangeiros.
O resultado do primeiro turno da eleição para presidente já provocou a revelação de outros elementos programáticos da extrema direita, como a proposta de governo de realizar uma nova contrarreforma da previdência social, trabalhista e administrativa, com graves consequências para o serviço público brasileiro e o fim do concurso público. Sem qualquer dúvida, temos em jogo, principalmente, a manutenção ou não do regime democrático e a garantia dos direitos sociais conquistados.
*José Menezes Gomes
Doutor pela USP, prof.do Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social / UFAL e membro da RICDP
O conteúdo deste artigo, incluindo dados e opiniões, é de inteira responsabilidade de seus autores e não reflete, necessariamente, a opinião do Capital News.
Capital News
Siga o Capital News no Google News e acompanhe nossas notícias por lá também.
Siga o Capital News
Receba as principais notícias de Campo Grande e do MS nas redes sociais, onde você estiver.
Viu algo? Conte para a gente
Envie sugestões, fotos, vídeos e reclamações pelo Reportar News e ajude a melhorar a sua cidade e o seu estado.


![Origem | Dengue | PI 3342 [728]](https://cdn.capitalnews.com.br/storage/webdisco/2026/09/17/outros/7b3ed3ba448e396e72600c7212d06ab6-capitalnews-com-br.gif)
![Origem | Dengue | PI 3342 [300]](https://cdn.capitalnews.com.br/storage/webdisco/2026/09/17/outros/369f49c0cfaf848f645163db4bfafab5-capitalnews-com-br.gif)