Senador Valter Pereira continua no PDMB e prévias vão decidir se é ele ou o deputado Waldemir Moka quem deve sair candidato ao Senado pelo partido em 2010. Quase três horas de reunião no Diretório Regional foram necessárias para decidir parte do impasse na legenda, criado por conta do embate entre os parlamentares: nenhum deles abre mão de ser o apontado ao cargo no pleito do ano que vem. Teoricamente, duas vagas são possíveis, mas André e a cúpula peemedebista já teriam tratado que, por enquanto, apenas uma delas na chapa seria para o partido; a outra ficaria para barganhar alianças. As prévias ficam para o primeiro trimestre de 2010. O encontro foi entre os dois concorrentes, toda a Executiva Estadual e o governador André Puccinelli, no final da tarde e parte da noite desta segunda-feira, 14 de setembro.
Conforme André e os parlamentares Moka e Valter, quem vencer as prévias é o candidato ao Senado e quem perder terá uma espécie de prêmio de consolação. “O outro será prestigiado pelo partido”, disse André. Entretanto, o governador não explica se esse “prestigiado” seria uma candidatura a deputado federal ou estadual.
A decisão serviu para segurar Valter no partido – onde está há cerca de trinta anos. Ele é sondado por diversos partidos (PSDB, PPS, PTB e PSB) que o querem como candidato a senador. Por várias vezes confirmou que deixaria o PMDB se não houvesse acordo. “O que precisava é que a decisão fosse democrática. E a decisão vai partir da instância mais democrática do partido que são as prévias. A partir disso, então, não há motivos para eu sair do partido. Não há como negar a legitimidade do processo”, disse o senador.
Um esboço de resolução definindo as prévias será apresentado à Executiva talvez ainda na semana que vem. Mas, as disputas mesmo serão em 2010. “Um esboço de minuta de resolução para apreciação da Executiva será apresentado pode ser daqui uma semana, quinze dias...”, informa André, sem data definitiva, entretanto.
Indagado se postergar as candidaturas efetivas atrapalharia a campanha, André diz não acreditar nisso. “Supondo que as prévias sejam no final do primeiro trimestre, teremos abril, maio, junho, julho, agosto e setembro. São seis meses antes da eleição. É tempo mais do que suficiente.”

André explica que prévias serão decisivas; para Valter, medida foi fundamental para sua permanência
Foto: Deurico/Capital News
Estatuto
Moka e André foram à casa de Valter no dia 7 conversar sobre a discrodância entre os dois. "Nada foi conclusivo", afirmara o senador ao Capital News no dia posterior. O deputado federal, por intermédio de sua assessoria de imprensa, explicara à nossa reportagem que teria solicitado a Valter que escolhesse a forma de disputa para decisão dentro da legenda, mas que não abriria mão dela, a não ser que perdesse nesta disputa.
Hoje, durante a reunião, o estatuto nacional do PMDB, documento máximo do partido, precisou ter alguns de seus artigos citados por André Puccinelli para intermediar a situação. Os trechos, seriam "claros": “Precisam de prévias” neste caso, explica o governador. “As prévias nos darão quem será o candidato. Elas são instrumentos democráticos para a solução do impasse. O estatuto do PMDB prevê prévias para essa questão. O próprio Valter, quando então deputado federal, foi o autor desta proposta em convenção nacional”, relata André.
Esacheu na direção do PMDB
Alegando que seria necessário para garantir a lisura do processo de disputa, Valter solicitou que os membros da Executiva que fossem pré-candidatos a cargos eletivos quaisquer em 2010 ausentassem de suas funções. O pedido foi aceito. Sendo assim, o secretário adjunto Esacheu Nascimento ficará responsável pela direção regional da legenda doravante.
“Ele não tem nada a ver com isso. Não pretende ser candidato, então, vai ficar aí”, brincou André.
Esacheu assume porque é o primeiro na hierarquia da Executiva que não quer ser candidato: Moka é o presidente; Valter o primeiro vice; Marçal Filho segundo vice; Nelson Trad (deputado federal) o terceiro vice (mas este último deve abandonar a política); o secretário-geral é o deputado estadual Junior Mochi. Além destes, estão na Executiva, mas em cargos com menor hierarquia: Celina Jallad, a primeira tesoureira; Carlos Marun, o primeiro vogal; os deputados estaduais Akira Otsubo, Jerson Domingos e Youssif Domingos, respectivamente, segundo terceiro e quarto vogais; Levy Dias, primeiro suplente; Alfeu Duarte de Souza, segundo suplente; e Filinto Abreu, terceiro suplente.
Deputados
André ficou em silêncio por alguns instantes para responder sobre as decisões envolvendo os candidatos a deputados estaduais e federais a serem lançados pelo partido. Motivado pelo deputado Moka [“Vai ser na convenção”, disse o parlamentar], André emendou a frase: “Vai ser na convenção de julho do ano que vem. A definição segue o prazo legal.”
Ausências
Os prefeitos Nelsinho Trad e Simone Tebet não estavam na reunião. A reportagem do Capital News perguntou a André se a ausência deles significaria que não disputariam as eleições em 2010. “Você adivinhou. Eu não disse isso, mas...”, respondeu o governador.
Simone estava no ato realizado à tarde na Assembleia Legislativa de assinatura dos convênios para disponibilidade de recursos oriundos de emendas de parceria entre os poderes Executivo e Legislativo do Estado.
"Mas qualquer membro do partido, qualquer filiado pode disputar as prévias", explica Moka. "Se eles quiserem, nada impedirá", complementa Valter.
Tanto Nelsinho quanto Simone têm o mesmo discurso quando perguntados sobre se serão candidatos ao Senado em 2010. Dizem que são membros de um partido e não possuem projetos individuais, mas conjunto e a decisão de lançá-los ou não caberia ao PMDB.
Por: Marcelo Eduardo - (www.capitalnews.com.br)
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