A abertura dada pelo governador André Puccinelli (PMDB) para a possibilidade de aliança entre o PMDB e o PT na Capital divide a opinião dos deputados dos dois partidos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS). Se de um lado a maioria dos deputados do PMDB é a favor, os petistas são contrários a aliança.
O deputado Paulo Duarte (PT) é contrário a coligação e diz que o petista que a defende é igual mulher de malandro, que gosta de apanhar. “Ele sempre diz que o PT está atrás dele, como se fosse a última bolacha do pacote. Temos que ter aliança com quem tem finidade. No mesmo jornal fala mal e defende aliança”, questionou. Duarte ressalta que o senador Delcídio Amaral (PT) é muito forte e o partido não precisará do PMDB. “Com o PMDB é sempre na rabeira, a reboque”, concluiu.
Pedro Kemp (PT) também é contrário a aliança e lembra que a convivência entre os partidos é muito difícil no Mato Grosso do Sul. “A principal liderança do PMDB no estado, que é o governador, é autoritário, centralizador, antidemocrático e não tem afinidade com o projeto político do PT. A maior prova é que o governador não apoiou a presidenta Dilma Rousseff (PT) na campanha”, declarou. Entretanto, Kemp admite que há filiados do PT que não veem problemas na aliança entre os dois partidos.
Cabo Almi (PT) já é mais diplomático e diz que se for respeitar o acordo nacional, quem estiver a frente nas pesquisas, entre PT e PMDB, pode apoiar o outro. Apesar disso, lembra que o PT tem outros partidos aliados e teria que consultá-los. Embora não diga se apóia ou não a aliança, Almi faz questão de dizer que o PT depende do PMDB para governar, pois o vice-presidente, Michel Temer, é do PMDB.
PMDB
O líder do PMDB na Assembleia Legislativa, Eduardo Rocha, apoia a aliança se for para um projeto que visa o bem do Estado. Ele acredita que não existe radicalismo no PMDB e que os partidos podem deixar de lado a rivalidade e divergências. Ademais, declarou que o senador Delcídio Amaral e o deputado federal Antônio Carlos Biffi, ambos do PT, são favoráveis a aliança.
O líder do governo na AL-MS, Júnior Mochi (PMDB), ressaltou que no País não há rivalidade entre os partidos e que no seu primeiro mandato como prefeito de Coxim teve o apoio do PT. Para Mochi, a rivalidade criada entre o PMDB e o PT na Capital em 1996 já está menos intensa com o passar dos anos.
Marquinhos Trad (PMDB) não comunga da mesma opinião dos colegas de partido. Ele acredita que a junção de PMDB e PT seria como querer misturar água com óleo, além de comprometer a democracia, que precisa de opiniões divergentes. O deputado ressalta ainda que a união deixaria a população confusa. Trad aproveita a guerra provocada pela liberação de emendas para exemplificar que se o PMDB fizesse aliança com o PT significaria que o governador deixaria de ser “caloteiro”, conforme acusação de Paulo Duarte, e o ex-governador Zeca do PT passaria de réu para vítima nos processos que responde.
