A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) descartou nesta segunda-feira, em entrevista ao programa Bom Dia MS, a hipótese de renovação da aliança tucano-peemedebista para a disputa da sucessão do governador André Puccinelli e do prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, em 2010.
A senadora disse que já houve a primeira conversa entre lideranças do PSDB e dirigentes do DEM e PPS para encaminhar acordos para a eleição presidencial e a disputa nos estados. Segundo Marisa, não há nenhuma possibilidade dos tucanos continuarem com o PMDB, tanto por orientação nacional, quanto em função do esgotamento da coligação com o PMDB.
A senadora disse que houve reunião em nível nacional com dirigentes regionais para tratar das próximas articulações. “O PSDB está organizado e estruturado, pronto para disputar as eleições de 2010”, disse, notando que já tratou do assunto com o vice-governador Murilo Zauith (DEM), que a procurou em Brasília, e o vereador Airton Saraiva, objetivando a sucessão de Puccinelli no governo do Estado e de Nelson Trad Filho na Capital.
Marisa lembra que Oswaldo Possari foi vice de André Puccinelli por oito anos e ela, antes de se eleger ao Senado, foi vice de Nelson Trad Filho na Prefeitura de Campo Grande. Nesse sentido, o alinhamento, na condição de coadjuvante, não faz mais parte da estratégia do PSDB, que vai concorrer à Presidência e aos governos estaduais.
Rompimento
Independentemente do futuro, segundo Marisa Serrano, já houve um rompimento da aliança tucano-peemedebista quando o PSDB não teve apoio do PMDB na eleição da Mesa da Câmara de Campo Grande. “Fizemos uma proposta quando fomos vice de Nelsinho. Tivemos duas secretarias e o PMDB ficou de nos apoiar na eleição da Câmara. Não foi o que aconteceu”.
No acordo que a senadora se refere, o PSDB indicou Maria Cecília Amendola para a Secretaria de Educação e o professor João Rocha para a Fudesporte. João Rocha se insubordinou e compôs com o PMDB para a eleição da Mesa da Câmara, em oposição à chapa tucana, encabeçada por Cristóvão Silveira. O PSDB ainda não decidiu se mantém a indicação para a Educação.
Ao anunciar o primeiro escalão da nova gestão, Trad Filho disse que a Pasta está aberta à manutenção da autal secretária ou sua substituição por decisão do PSDB.
O deputado estadual Reinaldo Azambuja, presidente da Comissão Executiva Estadual do PSDB, e o vereador Cristóvão Silveira, da Executiva Municipal do partido, devem discutir a posição adotada pelo vereador João Rocha, mas ele não deve ser expulso.
O presidente eleito da Câmara da Capital, Paulo Siufi, disse que o PMDB pode convidar Rocha a trocar de partido, apesar das regrams remeterem ao partido a 'propriedade' do mandato.
Segundo Marisa Serrano, Rocha teve comportamento questionável, uma vez que o partido havia fechado questão em torno da chapa encabeçada por Silveira, derrotada por Paulo Siufi em votação bastante disputada (12 a 8).
Para se aliar ao PMDB, o vereador tucano ganhou a 1ª secretária da Mesa. Marisa Serrano observou que Rocha ganhou 'musculatura' graças ao trabalho que desenvolveu durante quatro anos na Fundação de Esportes, cargo entregue a ele por conta da aliança tucano-peemedebista.
Reeleição
A senadora Marisa Serrano disse que em nenhum partido há consenso sobre a reeleição, um dos pontos da reforma política que tramita no Congresso Nacional. Ela diz ser favorável à reeleição, mas desde que os políticos se desincompatibilizem seis meses antes das eleições. A senadora disse que quatro anos é muito pouco tempo para 'arrumar a casa' e começar a governar.
Marisa Serrano não acredita, porém, que a reforma deva ser votada este ano, até pela projeção de que a crise será intensa no primeiro semestre deste ano e diante a perspectiva de que outros projetos mais importantes atropelem a pauta do Congresso.
Vereadores
Marisa Serrano disse ser contra o aumento do número de vereadores, mas ressalvou que a questão é discutível e precisa ser debatida, para pesar os prós e contras. Ela condena a forma como o assunto foi tratado no Congresso, porque se buscava uma regra retroativa num momento de disputa eleitoral.
A senadora não participou da votação da PEC que aumentou o número de vereadores porque estava na sessão do Parlamento do Mercosul, como integrante da Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Esportes. “Eu sou contra, é um absurdo votar uma regra retroativa, mas é preciso colocar o assunto na mesa. Acho que isso tem que ser discutido depois da eleição de 2010”, sugere.(Da TV Morena)
