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Política Sexta-feira, 02 de Janeiro de 2009, 14:26 - A | A

Sexta-feira, 02 de Janeiro de 2009, 14h:26 - A | A

\'PMDB desprezou princípios e convicções\', lamenta Valter Pereira

Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

O senador Valter Pereira (PMDB-MS) disse nesta sexta-feira, em entrevista ao programa Bom Dia MS, que o seu partido desfigurou o perfil ao se aliar ao PT, mas considera que essa distorção na conduta se deve ao 'paradigma da governabilidade' que deve acabar com a aprovação da reforma política. A reforma acaba com a reeleição, mas apenas para os eleitos a partir de 2010. Sobre o futuro das relações PMDB-PT, no entanto, Pereira diz que ainda "tem muita água para passar por debaixo da ponte".

"O que nós observamos claramente é uma mudança muito grande no comportamento do políticos nos últimos anos em busca especialmente da sombra do poder, aí incluo o PMDB, que é meu partido", disse Valter Pereira. A seu ver, "o PMDB desprezou muitos princípios, muitas convicções que historicamente moviam sua conduta e hoje tem um paradigma que segue religiosamente, que é a tal da governabilidade".

Segundo o senador sul-matogrossense, em função da governabilidade é que o PMDB adotou o caráter pendular e aliancista, aderindo ao governo do presidente Lula. Para Valter Pereira, o que se busca com a reforma política "é o aprimoramento dos costumes políticos, muitas distorções que ocorreram nesse período de redemocratização que precisam efetivamente ser corrigidas".

Reforma

Segundo Valter Pereira, hoje o que se discute é o fim da reeleição com o aumento do tamanho do mandato. Na sua opinião, quatro anos de mandato é muito curto, porque no primeiro ano "geralmente o que se faz é a recuperação da máquina administrativa, adoção de um novo estilo e novo planejamento de governo", enquanto o último ano é destinado a articulações em busca da reeleição. "A máquina administrativa trabalha em função disso. Essas distorções é que o congresso busca corrigir".

Para o senador, o fim da reeleição é fundamental, mas a reforma deve preservar políticos que estão no curso do mandato. "Só quem está com mandato, foi eleito sob a égide da legislação atual, teria o direito à reeleição". Porém, há controvérsia, porque o fim da reeleição está associada ao aumento do tamanho mandato, que pode ser de cinco ou seis anos.

Senado

Valter Pereira vai disputar a reeleição e defende dois candidatos do PMDB, por entender que são duas vagas. Sobre a postulação do deputado Waldemir Moka, Pereira diz que quem decide é a convenção e espera que o PMDB não lhe falte. "Quem vai decidir é a convenção. Tendo duas vagas, pode haver dois candidatos", analisa. Qualquer que for a solução, PMDB também pode ter dois adversários na corrida ao Senado – Delcídio Amaral, que quer a reeleição, e o ex-governador Zeca do PT, que faz dessa postulação uma obsessão.

Vereadores

Valter Pereira critica o que chama de 'incoerência' da Mesa da Câmara Federal ao se negar a promulgar a lei que aumentou o número de vereadores. O senador diz que, na verdade, 'a situação gerou perplexidade' porque entende que o projeto aprovado pelo Senado 'repõe o que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia retirado'.

Mas reconhece que houve distorção porque quando houve a redução do número de vereadores por decisão do TSE, as Câmaras não diminuíram os gastos. Daí a condição imposta pelo Congresso de que o restabelecimento do número de vereadores não poderia implicar em aumento de despesa.

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