O assassino confesso da arquiteta Eliane Nogueira, o empresário Luiz Afonso dos Santos de Andrade, 43 anos, disse hoje perante o júri que tentou suicídio no dia da morte de Nogueira colocando fogo no carro que estava com arquiteta, mas no último instante saiu do carro em chamas. Indagado sobre porque deixou o carro incendiado disse que o instituto de proteção falou mais alto ao ver as chamas. “Não tem jeito, a gente sai.
O depoimento de Andrade durou cerca de 25 minutos e ao fim o juiz Aluizio Pereira perguntou ao acusado se ele teria algo mais a dizer e ele argumentou que não concorda com duas das três qualificações que pesam sobre o crime que cometeu.
O empresário está sendo julgado por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima e responde, também, por destruição de cadáver.
Ao ser questionado sobre a crueldade de colocar fogo no corpo de Eliane, Andrade se calou. Sobre as outras duas qualificadoras é que ele disse discordar, afirmando que a mulher não era tão frágil e que ele também não é um homem tão forte. Ele alega também que não está sendo levado em conta os três nãos de relacionamento que o casal teve que foi bastante conturbado.
Para a defesa, o motivo torpe foram os ciúmes que Luiz Afonso sentia de Eliane, agravados pelo fato de que ela estava em ascenção profissional e financeira, enquanto ele estava na direção contrária. No interrogatório e em sua fala quando recebeu a palavra, Luiz Afonso procurou o tempo todo dizer que na verdade, era Eliane que tinha ciúmes dele.
O promotor Henzo Siuffi explicou para o júri que o acusado esganou a arquiteta e usando termos técnicos jurídicos e médicos confirmaram a veracidade do laudo pericial. O laudo revela que Eliane estava viva quando foi carbonizada. A promotora Luciana Rabelo debateu a forma torpe do crime e as atitudes do réu diante da situação. O Filho de Eliane disse em juízo que tentou falar com a mãe no dia do crime mais de 20 vezes durante a noite e que por volta das 6 horas, ele recebeu uma ligação de Andrade perguntando se a mãe já estava em casa.
Segundo a argumentação da promotora, o réu teria matado a arquiteta por volta das 4h5 da manhã antes disso teria ido até uma convivência comprar cigarro e fósforo. Às 4h27, o Corpo de Bombeiros foi chamado para apagar o incêndio no veículo. Logo depois o acusado voltou para a conveniência comprou cerveja e foi embora. Ele seguiu a pé até a Rua Joaquim Murtinho, onde pegou um taxi e foi embora. A promotora disse ainda que o réu não deixava a arquiteta tomar sol nem alisa o cabelo.
Um fato curioso mostrado pela promotora para comprovando a tese do seu colega promotor e que a única parte do corpo de Elaine que não foi carbonizado foi o pescoço que apresentou lesões e marcar provenientes de esganamento.A promotora é enfática e diz que o acusado é “Viuvo por opção”.
Luiz Afonso está preso desde o dia do crime. Ele demorou meses para confessar oficialmente ter matado a esposa. Mas havia feito isso em uma conversa extraoficial com o delegado que investigou o caso, Wellington de Oliveira, do 4º Distrito Policial, no bairro Moreninhas.
A defesa de Luiz Afonso nunca tentou colocá-lo em liberdade após o crime, porém tentou adiar o julgamento, alegando que faltou ouvir a mãe do empresário, Maria Noemia dos Santos, que mora em Santa Catarina. O pedido foi negado e o Justiça alegou que não houve interesse da defesa, tanto que foi fornecido endereço errado da testemunha.
