Natani Ferreira/ Capital News
Vereadores questionaram números apresentados pelo secretario de Administração
Em meio a denúncias envolvendo o prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte, a Comissão Parlamentar de Inquérito das Contas Públicas iniciou seus trabalhos na tarde desta segunda-feira (18), com a oitiva do secretário municipal de Administração (SEMAD), Wilson Prado.
Na reunião, o secretario expôs os gastos da prefeitura com pessoal, desde a gestão de Nelson Trad Filho, em 2011, até a atual gestão de Gilmar Olarte. Segundo o levantamento trazido por Prado, na gestão de Nelson Trad Filho foram gastos cerca de R$50 milhões com pessoal, enquanto na de Olarte, foram gastos R$97 milhões.
Dentro deste aumento com o gasto de pessoal incluem-se os comissionados, que em 2011 custavam aos cofres do município R$2,5 milhões, passando para R$5 milhões de reais em 4 anos. De acordo com o secretário, não foram criados novos cargos desde janeiro deste ano, após a edição de um decreto pela SEMAD.
“Não estamos fazendo nomeação de novos comissionados, estamos apenas substituindo. E também não teve aumento de cargos, de 2014 para 2015 teve redução. Nós estávamos com 1.200 (servidores) aproximadamente e estamos com 1.073. Houve aumento (de gasto) por conta dos novos postos de trabalho que demandavam salário maior”, explicou o secretario.
Os números trazidos pelo titular da pasta foram questionados pelo presidente da Comissão, vereador Eduardo Romero. “Acompanhando o Diário Oficial nós temos hoje cerca de 1.300 comissionados, enquanto que os dados oficiais apresentados aqui são de 1.073. Então, precisamos fazer esse confrontamento, até para que a gente tenha prova documental para a CPI”, afirmou Romero.
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De acordo com o secretario, as despesas com pessoal não são de sua responsabilidade, e sim, dos titulares das Secretarias
Apesar do aumento da arrecadação com impostos na Capital, o número não foi suficiente para evitar uma crise na administração da prefeitura. “A gente perdeu em torno de R$100 milhões de receita, com a redução do ICMS, e isso afeta diretamente a folha e o gasto com o pessoal. Então, nós estamos no limite dos serviços e a queda de arrecadação gera uma perda importante, que foi o que aconteceu de elevar o índice acima de 51.3%”, completou o secretário.
A comissão ainda precisa de uma relação detalhada de cada funcionário convocado, efetivo e celetista, sua lotação, função, salários, gratificações e sua real atuação em prol do município de Campo Grande. A CPI aguarda documentos da Secretaria de Administração, da Secretaria de Governo e da Secretaria de Infra-estrutura e Transporte. Os órgãos têm o prazo de vinte dias corridos para encaminharem os documentos solicitados.
“Terminando essa oitiva nos teremos que analisar os documentos que já chegaram. Quarta-feira é nossa próxima reunião que será de atividades executivas, e iremos definir qual será o próximo secretario que participará na agenda de segunda-feira”, afirmou o presidente da CPI.
Quanto à influência na CPI das denúncias veiculadas no programa Fantástico, na noite deste domingo (17), contra Gilmar Olarte, o vereador Eduardo Romero foi enfático. “Em política não existem fatos isolados, tudo compõe um sistema. Agora, evidente que o objeto desta CPI não é especificamente o que foi veiculado na imprensa. O objetivo é apurar sobre as contas do município, qual é o planejamento que o município está tendo para resolver essa crise e quais são as ações emergenciais que devem ser adotadas”, finalizou.


