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Política Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009, 13:55 - A | A

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009, 13h:55 - A | A

Deputados se dividem quanto à decisão de arquivar as denúncias contra senador Sarney

Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

O site Capital News ouviu hoje pela manhã dois deputados estaduais para questioná-los em relação ao arquivamento das 11 acusações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que ocorreu na tarde de ontem. De um lado, Reinaldo Azambuja (PSDB) e do outro Pedro Teruel (PT). Os dois defenderam as posições adotadas pelos representantes dos seus partidos no Senado Federal. Marisa Serrano votou pelo não arquivamento das denúncias, enquanto Delcídio do Amaral (PT) votou favoravelmente.

De acordo com o deputado Pedro Teruel, Delcídio do Amaral seguiu uma determinação nacional do PT, que era votar pelo arquivamento das acusações. “O Delcídio fez aquilo que a direção determinou e seguiu a orientação. Isso mostra que ele está mesmo no PT. Se as pessoas acreditavam que ele não estava com concentrado no PT, a atitude dele mostrou isso”, disse.

Questionado se à atitude do senador em votar favorável ao arquivamento das denúncias não manchava a imagem do PT e de Delcídio do Amaral, o deputado estadual afirmou que as pessoas devem entender que essa determinação veio da direção nacional da legenda e o senador não poderia descumpri-la. “As pessoas precisam entender esse posicionamento. Já sabemos que alguns petistas ficaram descontentes com essa decisão e podem inclusive abandonar o partido. Quando uma pessoa entra para um partido ela precisa entender o posicionamento dele. Se estiver descontente, terá que mudar de partido”, finaliza.

Já o presidente regional do PSDB em Mato Grosso do Sul, deputado estadual Reinaldo Azambuja, disse que a senadora Marisa Serrano tomou a decisão correta quando votou pelo não arquivamento. “Não dá para esquecer as acusações e simplesmente não apurá-las. O que vem acontecendo no Senado precisa ser passado a limpo. O arquivamento das acusações foi uma questão política e incorreta, pois os fatos precisam ser apurados”, salienta.

Reinaldo Azambuja afirmou que a decisão do PSDB de recorrer e levar a votação para o Plenário do Senado é uma decisão correta. ”Isso deve acontecer. Todos os senadores precisam tomar conhecimento. Essa parece ser a única maneira de resolver o problema no Senado”, finaliza.

Senadores de MS

A senadora Marisa Serrano (PSDB) votou contra o arquivamento das 11 acusações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ela disse ao site Capital News que os senadores do PSDB já estudam a possibilidade de decisão e recorrer para que acusações sejam feitas no Plenário do Senado Federal. “Eu já manifestei o interesse de recorrer ao Plenário, para que todos os senadores possam se manifestar. O Conselho de Ética não deu condições para que questionássemos o fossemos a fundo nas investigações. Temos que recorrer ao plenário, pois este é o melhor caminho.

Marisa Serrano afirmou que a decisão de arquivar as acusações vai contra o Senado Federal. “Não dá apenas para passar uma borracha em cima do assunto e apagar. O Senado chegou a um estágio que se tudo não for passado a limpo, a população não terá mais confiança no trabalho dos senadores. O Senado precisa de uma reestruturação geral”, finaliza.

O senador Walter Pereira (PMDB) não participou da votação, pois não integrava a Comissão de Ética que analisou o caso. Já o senador Delcídio Amaral (PT-MS) votou pelo arquivamento e usou o Twitter, serviço de microblog, para justificar sua posição favorável ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ainda na sala do Conselho, ele atualizou sua página no Twitter para justificar o voto. "Ser governo significa assumir ônus e bônus. Desta vez foi ônus. Embora meu voto não alterasse o resultado, não costumo assumir discurso fácil". Três horas antes, o Twitter de Delcídio já registrava que ele seguiria a orientação do PT. A declaração foi feita após uma nota do presidente do PT, Ricardo Berzoni (SP), pedindo o arquivamento das ações.

Acusações

As acusações tratam dos atos secretos e de uma gravação que ligaria Sarney a uma dessas decisões não publicadas, de supostas irregularidades na Fundação Sarney, de negócios de um neto do presidente do Senado com crédito consignado, de uma mansão que Sarney teria omitido de sua declaração à justiça eleitoral, de um assessor que teria usado o prestígio junto à Polícia Federal para obter informações privilegiadas para Fernando Sarney e da suposta ocultação de terras pelo presidente do Senado para não pagar tributo.

Todas elas foram arquivadas pelo presidente do Conselho. O principal argumento é que as acusações se baseavam em reportagens jornalísticas. Houve questionamento também sobre a legalidade das provas apresentadas, como a gravação, que faz parte de um processo que corre em segredo de justiça. Na sessão, os senadores do PT eram visto como “fiel da balança” e decidiram o jogo a favor de Sarney. Em nota, o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), já havia pedido que os representantes do PT votassem pelo arquivamento das ações.

O líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (SP), por sua vez, defendia posição contrária. Ele chegou a defender no próprio plenário do Conselho a abertura de investigações sobre os atos secretos. A posição do PT foi criticada pela oposição. Para o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), a argumentação de Berzoini de que o partido ofereceu alternativa ao lançar Tião Viana (PT-AC) para a presidência do Senado contra Sarney não justifica a postura a favor do peemedebista agora. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) chegou a dizer que o PT fazia "falso moralismo" em relação ao Senado.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi outro a criticar o PT. Ele destacou o fato dos votos pró-Sarney acontecerem no dia em que a senadora Marina Silva (AC) deixou o partido. “Hoje é o dia em que o PT abraça o Sarney e o Collor e a senadora Marina sai. Qual deles representa mais a origem do PT? Triste dia esse para o PT." A prévia da decisão já foi anunciada pela votação de requerimentos que pediam a análise em bloco das denúncias e das representações contra Sarney.

Os aliados do presidente do Senado venceram esta disputa. Na primeira votação foi 8 a 7 a favor da votação das denúncias em globo. Na segunda, com a presença da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), o placar foi o de 9 a 6, com todos os três votos do PT pró-Sarney. O arquivamento no Conselho, no entanto, não deve encerrar a polêmica. A oposição pretende recorrer ao plenário para que os processos sejam abertos. Os governistas, no entanto, argumentam que o regimento não permite este novo recurso.

Por Alessandro Perin (www.capitalnews.com.br)

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