O deputado estadual Pedro Kemp (PT) ocupou a tribunal da Assembleia Legislativa na manhã desta quarta-feira (6) para denunciar mais um caso de violência contra a mulher e cobrar do poder público ampliação da rede de assistência à mulher vítima de violência.
Kemp falou sobre o caso de uma mulher de 39 anos que sofreu violência do ex-marido neste domingo (3). O deputado contou que a mulher ligou várias vezes para o 190 da Polícia Militar e não foi atendida.
A vítima também tentou entrar em contato com a delegacia da mulher, mas não teve retorno porque as unidades não funcionam nos fins de semana.
O deputado ficou sabendo da situação depois que a mulher ligou para parentes dela em Anastácio e eles ligaram para o deputado.
A vítima só conseguiu atendimento na manhã da segunda-feira (4). A mulher foi até a delegacia e registrou um boletim de ocorrência.
Durante sua fala, Pedro Kemp demonstrou indignação pela falta de atendimento à mulher. “E se ela tivesse com uma faca no pescoço do outro lado da linha? Ela só conseguiu atendimento na segunda. Passou muito tempo, ela poderia ter morrido”, declarou.
O deputado disse ainda que entrou em contato com a delegacia da mulher para saber sobre a demora no atendimento.
“No final da manhã de segunda um agente me confirmou que tinham recebido a ligação da senhora e que acharam que era um trote. Vou cobrar a revisão desses atendimentos, da Polícia Civil e das delegacias perante a mulher porque do jeito que está, não está funcionando”, afirmou o deputado.
Kemp afirmou que nesta quinta-feira irá protocolar a denúncia na Secretaria da Mulher e irá pedir ao Governo do Estado uma ampliação na rede de atendimento à mulher e, se for o caso, a criação de uma nova delegacia.
O deputado Junior Mocchi (PMDB) também usou a tribuna para falar sobre o caso. Mocchi concordou com as dificuldades no atendimento, mas justificou dizendo que falta infraestrutura para o melhor trabalho das delegacias.
Mocchi também afirmou que a falta de delegados é outra situação que contribui para os problemas na rede de atendimento e elogiou a abertura de um novo concurso para delegados do Estado.
Violência
Em entrevista ao Capital News nesta quarta-feira, a mulher vítima da agressão, que não quis se identificar, disse que é ameaçada de morte constantemente pelo ex-marido.
Os dois foram casados por 16 anos e tiveram três filhos de 13, 15 e 17 anos. O casal se separou há 3 três anos e o homem não aceita o fim do relacionamento.
“Ele fica voltando e me ligando para me ameaçar e dizer que vai cumprir a promessa de me matar”, disse a vítima que confirmou que a última ligação recebera ontem (5)
Sobre o atendimento na segunda-feira, um dia depois da violência, a mulher disse que ao registrar o boletim de ocorrência, ouviu reclamações do atendente. “Ele ficou reclamando do serviço, dizendo que estava sobrecarregado”, contou. O homem não foi preso, apenas notificado do registro do boletim.
Dados
Segundo o deputado, Mato Grosso do Sul é o 5º lugar entre os estados do País em assassinatos de mulheres, com taxa de homicídios de seis assassinatos para grupo de 100 mil mulheres, acima da média nacional, que é de 4,4. O primeiro colocado é o estado do Espírito Santo (9,4), o segundo Alagoas (8,3) e o Paraná aparece na terceira colocação (6,3).
A capital, Campo Grande, possui taxa de homicídios de 3,3 assassinatos para grupo de 100 mil mulheres e ocupa a 24ª colocação entre as capitais do Brasil no quesito violência contra as mulheres.
Ponta Porã é a cidade mais violenta do Estado e ocupa a 10ª colocação entre as 100 cidades mais violentas do Brasil. A taxa de homicídios é de 17,8 assassinatos para grupo de 100 mil mulheres. (Matéria alterada às 16h39 para acréscimo de informações)
