Campo Grande 00:00:00 Sexta-feira, 24 de Julho de 2026


Política Terça-feira, 17 de Março de 2009, 12:04 - A | A

Terça-feira, 17 de Março de 2009, 12h:04 - A | A

Delcídio coloca PF para investigar o caso e não acredita em armação do PT

Lucia Morel - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Em entrevista na manhã desta terça-feira em Campo Grande, o senador Delcídio do Amaral (PT) disse que pediu à Polícia Federal para apurar suposto complô contra ele denunciado pelo golpista preso, Ademar Pereira Mariano de 34 anos,que foi detido no último sábado e é acusado de aplicar o golpe da casa própria, "vendendo" casas da Agência Estadual de Habitação (Agehab).

O senador disse que não se sente prejudicado com a suposta armação e não sabe dizer se o golpe teria objetivo financeiro, de ganhar dinheiro de forma ilícita, ou motivação política. De qualquer modo, Delcídio disse que se for comprovado que o golpe vinha sendo praticado com o intuito de arranhar sua imagem, isso não aconteceu e analisa o fato como uma "operação de trabalhões". A seu ver, o grande prejudicado é o PT, que "mais uma vez ocupa as manchetes dos jornais" como assunto policial.

Ao prestar depoimento à polícia, Ademar que usava documento falso, disse ao delegado Edson Hernandes Pigosso, que "em meados de 2008 houve uma trama política visando prejudicar o senador Delcídio do Amaral" e por isso estaria usando o documento. Segundo declaração do golpista, o esquema "consistia em ofertar casas da Agehab através de documentos que eram fabricados em sua residência".

Conforme Ademar, o mandante do golpe seria o deputado federal e sobrinho do ex-governador zeca do PT, Vander Loubet, do mesmo partido. "A trama partia do deputado Vander Loubet por conta da eleição do Diretório do PT", afirmou. 

Assim, os 'candidatos' à casa própria pagavam até R$ 10 mil para 'furar' a fila do sistema habitacional do governo do Estado. Cerca de 50 pessoas teriam caído no golpe, segundo os boletins de ocorrência registrados na polícia. E o nome do senador surgia exatamente quando, ao fazer a documentação e entregá-la, dizia-se que o compromisso da entrega da casa era de Delcídio e que tudo estava sendo feito por ele.

Delcídio disse ter telefonado para o deputado Vander Loubet, já na segunda-feira à noite, quando então relatou o fato a anunciou as providências que estava solicitando, com investigação na Polícia Civil e Polícia Federal. “Ele se mostrou surpreso, assim como eu”, contou Delcídio.

A suposta armação, segundo Delcídio, não atrapalha suas articulação para a disputa do comando do PT, mas diz que "a instituição é a grande prejudicada" e se houve arquitetação vê essa tentativa como "tiro no pé". Delcídio também não espera ser beneficiado com esse episódio e se diz calejado. “Já sofri muito no PT. Estou até acostumado, mas não acredito que seja coisa do PT e nem de pessoas do PT”.

O senador afirmou que as direções do partido, tanto o presidente regional, deputado Amarildo Cruz, quanto o presidente nacional, Ricardo Berzoini, foram comunicadas sobre o caso. “Foi uma besteirada descomunal, coisa do “Agente 86 e Inspetor Closeau", disse Vander Loubet disse, segundo Delcídio.

Delcídio disse ainda que já havia sido informado, em novembro do ano passado, de que seu nome estava sendo usado em golpes relacionados a programas habitacionais. Comunicou o secretário Carlos Marun, mas a apuração ficou no âmbito administrativo e em investigações policiais. Delcídio disse que foi informado que há outras pessoas envolvidas e espera que as investigações esclareçam muitas dúvidas.

Figura conhecida

Ademar Pereira Mariano não é um desconhecido entre militantes políticos. “Ele era um agente político, chegou a trabalhar com a minha mãe na Casa do Idoso em Aquidauana”, comentou Delcídio sobre o golpista, que aparentemente levava uma vida normal. Segundo o senador, Ademar chegou a pedir ajuda por estar em dificuldades financeiras.

“Se formos raciocinar sobre a hipótese de armação, a única coisa que não estava no script era a prisão do Ademar na barreira da PRF”, disse. “Tive contato com o Ademar, ele era um agente político, mas nunca soube nada que o desabonasse. Fiquei surpreso com as declarações dele, mas esse fato não pode passar em branco. A prisão dele foi um fato inesperado, as investigações sobre o golpe da casa própria já estavam ocorrendo, era assunto policial que vinha sendo tratado em sigilo ou represado", lamentou.

Ademar, no entanto, ostenta ficha policial com três acusações de estelionato em Aquidauana. Ele foi foi investigado em inquéritos policiais acusado de estelionato em 5 de outubro de 2005; em 9 de março de 2006, e em 18 de outubro de 2007. Também foi cumprido mandado de prisão contra ele por furto (artigo 155 do CP) expedido pela 1ª Vara Criminal de Aquidauana. O mandado foi cumprido pela Delegacia de Polícia de Terenos. (com informações da TV Morena)

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS