Os vereadores de Campo Grande deixaram de lado assuntos ligados a melhorias da Capital para debater sobre as eleições municipais de 2012. Dois parlamentares são pré-candidatos – ou ao menos postulantes à posição – de prefeito. E o assunto foi o que mais perdurou antes da ordem do dia da sessão ordinária desta terça-feira (13) que votava o Orçamento Municipal para o exercício do ano que vem.
Marcelo Bluma (PV) falava na tribuna sobre problemas no meio ambiente da Capital. Ele citou inclusive assoreamento no córrego Segredo, que, junto com o Prosa, formam parte da história da Cidade Morena, pois na confluência entre os dois vivera o fundador do município, José Antonio Pereira.
As citações de Bluma eram sobre a necessidade de uma readequação na administração do primeiro escalão do governo municipal. Falou na necessidade do fortalecimento da Secretaria de Meio Ambiente e do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Planurb). "A Secretaria de Obras deve estabelecer um programa preventivo de combate ao assoreamento."
Athayde Nery, pré-candidato pelo PPS – do qual é presidente regional –, aparteou o discurso do colega concordando com sua postura. Disse que “daqui a dez anos” as margens de córregos onde têm construções estarão “condenadas”.
Logo depois, Paulo Pedra ocupou a tribuna. Comentou sobre dois assuntos: a confirmação de eleições internas para diretoria no PDT; e sobre os recursos do Hospital do Trauma de Campo Grande. Ele pediu que a Comissão de Saúde da Casa de Leis marque reunião com o presidente da Assembleia Legislativa, Jerson Domingos (PMDB), para que ele explique sobre a possibilidade de a ALMS repassar R$ 2 milhões à Prefeitura para continuidade da construção da instituição de saúde, já que prometera fazer isso antes [saiba mais].
O tom dos discursos mudou quando Paulo Siufi (PMDB) solicitou a Lídio Lopes (PP) que assumisse a presidência da mesa diretora em seu lugar para que pudesse ocupar a tribuna.
Ele comentou que pensava em discursar sobre a morte do adolescente José Eduardo Menegat, 15 anos, vitimado por acidente automobilístico provocado pela imprudência do motorista que dirigia sem Carteira Nacional de Habilitação – por também ter 15 anos – e alcoolizado [saiba mais sobre o caso]. Mas, afirma que, ouvindo dizeres de Athayde Nery e de demais colegas, achou que seria mais cabível conversar sobre o pleito do ano que vem.
Daí em diante, toda a sessão antes da ordem do dia se pautou por aquele tema. Enquanto Siufi falava, vereadores o aparteavam para falar sobre suas qualidades e, muitas vezes, deixavam os problemas de Campo Grande de lado na fala.
“É bom que esta casa tenha candidatos, pré-candidatos já definidos em seus partidos [comenta sobre Athayde, citando também o democrata Luiz Henrique Mandetta, correligionário do vereador Airton Saraiva]. É salutar. A democracia precisa disso (...) valores como a família, cidadania, grupo. (...) Há uma nova tendência mundial de política em grupo. Veja na Itália o Berlusconi sozinho. Já na Argentina, a Cristina Kirchner perdeu o marido, mas se aliou a um grupo forte e foi eleita. Em Campo Grande, estamos nesta confluência.”

Presidente da Casa de Leis diz que falaria sobre morte no trânsito provocada por adolescente alcoolizado, mas preferiu mudar tema para eleições municipais de 2012
Foto: Deurico/Capital News
Aliados e opositores dizem apoiar Siufi
Siufi disse que preferia partidos como o PSDB, PPS e DEM juntos apoiando o candidato do PMDB, mas, que considera justo o “direito de buscar alçar novos voos”. Todavia, disse que espera a presença deles ao lado do indicado pelos peemedebistas “num segundo turno” pois, “as próximas eleições serão decididas no segundo turno”.
O presidente da Casa de Leis – ambiente para debate sobre melhorias da cidade – continua o discurso sobre as eleições parecendo pedir a ajuda dos colegas legisladores. Ele aponta que, numa parceria visando o sucesso eleitoral, as siglas que se alinharem mais cedo terão posições de destaque numa futura administração. “Aqueles [partidos] que vierem antes, serão contemplados com mais espaço.”
“A pulverização de ideias [sic] é ótima. Aqueles que não quiserem se unir num primeiro momento, que venham num segundo. O que não pode é haver cicatrizes, mágoas. Não existe mais a política do eu sozinho. Uma pessoa só não pode comandar”, continuou.
“Sou candidato sim, dentre aqueles do PMDB”, afirmou. Mas, disse que apoiará o que o governador André Puccinelli e o atual prefeito Nelson Trad Filho apoiarem, mediante apresentação de pesquisa qualitativa e quantitativa. “O candidato que André e Nelsinho lançarem será forte.”
Neste momento, acabara o tempo de Siufi, mas, muitos queriam aparte em sua fala. A presidência momentânea concedeu um minuto aos inscritos.
Em mais momentos de menos discussão sobre questões diretas de problemas ou projetos para melhorias da Capital e mais debates sobre alianças políticas, os parlamentares passaram a defender o nome de Siufi para indicação no PMDB à disputa pela cadeira de prefeito, mesmo os de legenda de oposição.
Para Carlão, do PSB, o grupo é importante: “Estou aqui através de um grupo.” Ele apontou explicitamente sua preferência para a disputa majoritária no ano que vem: “Gostaria que vossa Excelência [Siufi] fosse o candidato a prefeito.”

Carlão também comentou que está na Câmara devido a apoio de grupo de aliados
Foto: Deurico/Capital News
Flávio César (PTdoB) – líder de Nelsinho na Câmara – cedeu seu tempo para que as falas continuassem e a postura pode até parecer de pré-campanha. “Vossa excelência dispõe de todos os requisitos. Assim como Giroto. Campo Grande vai continuar no rumo certo [slogan de campanha peemedebista]. Com a mão de Deus sobre nós.”

Fálvio César, líder do prefeito na Casa, dá a vez de sua fala para continuidade dos discrusos sobre eleições em 2012
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Magali Picarelli, correligionária de Siufi, afirma acreditar que “o PMDB vai continuar administrando Campo Grande”. “Temos dois bons candidatos, o senhor e Giroto.” Ela defende ouvir a população: “Teremos pesquisa para que possamos ter sucesso nessas eleições.”

Magali defende pesquisa para ouvir decisão da população
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O próprio concorrente do PMDB, Athayde Nery – que já afirmou que disputará a Prefeitura, pelo PPS –, assumiu que prefere ter como adversário na urnas o atual presidente da Câmara. “Eu diria que vossa excelência era o azarão dentro do PMDB. Riram da sua candidatura, como têm algumas pessoas rindo da minha candidatura. Temos divergências em muitos assuntos. Mas, alguns [do PMDB] estão tendo que aceitá-lo goela abaixo. Não estamos contra ninguém, estamos a favor da liberdade, da democracia. Enaltecendo a liberdade.”

Athayde é pré-candidato do PPS à Prefeitura
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Bluma fez alusão à “religiosidade” de Siufi para contribuição da melhora da cidade. “Não se imagina que uma cidade cresça sem cuidar de seu lado espiritual. Nenhuma cidade onde não havia espiritualidade cresceu.”

Bluma começou debate sobre problemas de meio ambiente, mas, depois também comentou sobre as eleições em 2012
Foto: Deurico/Capital News
Ele disse também esperar uma renovação. “Precisamos mais do que nunca do novo. Da alternância do poder. Não é possível que tenhamos pessoas que queiram ficar 10 ou 20 anos. Se o PMDB quiser ter sucesso nessas eleições têm que apostar no novo. Por isso, acho que vossa excelência [Siufi] está no caminho certo.”
Para Alex do PT – adversário histórico do PMDB na cidade e no Estado –, a candidatura de Siufi “não é ousadia”. “A sua candidatura tem solidariedade da bancada do PT.”

Alex afirma que a bancadada petista apoia o presidente da Casa
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Silveira – tucano como o deputado federal Reinaldo Azambuja, que já definiu sua pré-candidatura –, lembrou de forças que saíram da Casa de Leis. “O fórum de debate das eleições é aqui. Duvidaram na eleição passada que o vice saísse daqui [caso de Edil Albuquerque, hoje vice de Nelsinho, antes vereador].”

Silveira lembra de indicação de Edil para vice de Nelsinho
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Secretariado
Siufi comentou que os vereadores podem compor um bom quadro de secretários num futuro próximo. A afirmação foi, coincidentemente ou não, logo após os elogios que recebera explicitamente durante sessão plenária que têm palavra livre para qualquer tema, mas, que costuma ser usada para discussão direta de projetos de leis.
“Ficaria feliz que o próximo prefeito tivesse em seu quadro de secretariado pessoas daqui. Nós conhecemos a cidade.”
Anteriormente, o presidente da Câmara ainda citou que o Legislativo Municipal possui profissionais capacitados. “Temos aqui vereadores que estão muito acima da média para ocupar secretarias. Não existe, hoje em Campo Grande, uma pessoa que conhece a Santa Casa mais do que o vereador Loester, por exemplo. Esta pessoa é muito importante para a reconstrução de uma Santa Casa independente.”
Logo após o fim das falas, os vereadores se retiraram para discutir o projeto de lei que institui o Orçamento Municipal 2012. Com atraso no início – que deveria ser às 9h – e perduração em discursos sobre as eleições, a sessão acabou por volta das 15h, com aprovação da peça orçamentária.
