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Política Segunda-feira, 15 de Novembro de 2021, 08:54 - A | A

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Eleições 2022

Bolsonaro coloca em xeque filiação ao PL

Nota oficial do partido e presidente declararam a "necessidade de mais conversas”

Silvio Ferreira
Capital News

Tânia Rego/Agência Brasil

Bolsonaro coloca em xeque filiação ao PL

Bolsonaro disse em Dubai que nota oficial do PL adiando a filiação foi definida depois longa troca de mensagens com Valdemar da Costa Neto, presidente da legenda.

Poucos dias após ter dito que sua ida ao PL estava “99,9% acertada”, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) colocou em xeque, neste domingo (14), sua filiação ao Partido Liberal (PL) devido a divergências em composições estaduais para as eleições de 2022. 


Em nota oficial divulgada pelo partido, o presidente da sigla, o ex-deputado Valdemar da Costa Neto (SP), informou que a decisão de adiamento do evento de filiação – que chegou a ser marcada para dia 22, o número da sigla nas urnas – foi adiada e que a decisão foi tomada em acordo com o presidente da República "após intensa troca de mensagens na madrugada deste domingo".


Em entrevista à imprensa, neste domingo, durante visita à Dubai Air Show, feira aérea no emirado do Golfo Pérsico, o presidente Bolsonaro confirmou a informação de que a nota do PL divulgada horas antes, adiando a filiação, foi divulgada em comum acordo. 


"O casamento tem que ser perfeito. Se não for 100%, que seja 99%. Se até lá nós afinarmos pode ser, mas eu acho difícil essa data, 22. Tenho conversado com ele [Valdemar], estamos de comum acordo que podemos atrasar um pouco esse casamento, para que ele não comece sendo muito igual aos outros".


Além de questões programáticas que precisam ser negociadas com o presidente do PL, o principal gargalo na negociação da filiação de Bolsonaro ao PL é o governo de São Paulo.

Na última quarta-feira, quando o presidente declarou que a sua filiação ao partido estava praticamente certa “99% certa”, Bolsonaro deixou transparecer o que seria o 1% que agora, parece criar o impasse: 


"Se eu vier a disputar a reeleição, eu quero ter um candidato ao governo do estado em São Paulo, um candidato ao Senado e uma boa bancada de indicados", disse. "Está faltando acertar esse pequeno detalhe com o Valdemar, que eu acredito que a gente acerte no dia de hoje".

 

Há alguns meses, o presidente ventila a sua intenção de lançar o atual ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para o governo da principal unidade da federação, onde o PL tem a intenção de apoiar a candidatura de Rodrigo Garcia (PSDB), que Garcia terá o apoio do atual governador, João Doria (PSDB), um dos principais adversários políticos de Bolsonaro.


"A gente não vai aceitar em São Paulo o PL apoiar alguém do PSDB. Não tenho candidato em São Paulo ainda, talvez o Tarcísio aceite esse desafio. Seria muito bom para São Paulo e para o Brasil, mas temos muita coisa a afinar ainda", afirmou o presidente.


"Nós queremos um projeto de Brasil, e o discurso não é apenas o meu, é do presidente do partido também. Temos que estar alinhados. Por exemplo, o discurso meu e do Valdemar nas questões das pautas conservadoras, nas questões de interesse nacional, na política de relações exteriores, que está indo muito bem", disse o presidente.


Bolsonaro está sem partido há cerca de dois anos, desde que saiu do PSL, legenda pela qual se elegeu. Neste período, ele tentou várias alternativas, a começar da criação de um novo partido, a Aliança pelo Brasil, projeto inviabilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral. 

 

Paradoxalmente, o mesmo tribunal que defende de forma tão aguerrida a confiabilidade de urnas eletrônicas de primeira geração – que juntamente com o Brasil, são usadas somente por Bangladesh e Butão - não aceitou o “apoiamento” feito por meio de certificações digitais. A corte não as considerou “confiáveis” e exigiu que os apoio seja oficializado presencialmente em cartórios eleitorais. 

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