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Política Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011, 14:02 - A | A

Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011, 14h:02 - A | A

Após transferir título, Simone diz que não é pré-candidata à prefeitura e sonha com Senado

Valdelice Bonifácio - Capital News (www.capitalnews.com.br)

A vice-governadora Simone Tebet (PMDB) falou hoje pela primeira vez sobre a transferência de seu domicílio eleitoral de Três Lagoas onde foi prefeita para Campo Grande.

Ao participar de evento na governadoria ao lado do governador André Puccinelli (PMDB) que foi quem pediu que ela transferisse o domicílio, Simone esclareceu que não está pleiteando a prefeitura da Capital.

Seu único projeto político é concorrer ao Senado nas eleições de 2014 para poder completar o mandato que o pai, o senador Ramez Tebet não concluiu em razão de seu falecimento em 2006.

Simone nem mesmo ambiciona o governo do Estado. Prefere apoiar o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB).

Sobre a transferência do título, ela informou ter sido convencida pelo governador a mudar o domicílio por duas razões principais, a primeira é que o fato de ela não morar mais em Três Lagoas e continuar como eleitora do município poderia ser questionado.

“Eu teria mesmo que mudar em algum momento. Estou morando em Campo Grande há 10 meses”, comentou.

A outra razão é eleição de 2014, quando ela pretende concorrer ao Senado. Na avaliação do governador pertencendo a um domicílio eleitoral maior, ela terá mais chances de galgar o cargo majoritário.

Simone admitiu que a possibilidade de concorrer à prefeitura foi mencionada pelo governador, porém não é algo que ela queira.

A vice-governadora disse ainda que não pretende dividir o PMDB que já tem quatro pré-candidato à prefeitura.

“O grande argumento do governador foi que eu não estava traindo Três Lagoas porque não estava me colocando como pré-candidata à prefeita de Campo Grande. Eu simplesmente mudei o domicílio eleitoral”, afirmou.

Simone afirma ter mudado de domicílio mais para atender a um pedido e a um aconselhamento do governador, que ela considera um pai político, do que por interesses pessoais.

“Eu fiz a transferência no prazo eleitoral, atendendo a um pedido dele sobre uma possibilidade eventual que é de 1% de eu disputar a prefeitura caso alguns dos candidatos do PMDB não possa concorrer”, disse.

Apesar de segura da necessidade de atender ao pedido do governador, a transferência de domicílio foi dolorosa para Simone que teria até chorado.

Aspectos jurídicos

Questionada sobre os aspectos jurídicos de uma eventual candidatura em Campo Grande, Simone diz não estar investigando o tema.

A vice-governadora que foi prefeita de Três Lagoas por duas vezes, caso entre na disputa na Capital, estaria concorrendo pela terceira eleição seguida a uma prefeitura.

“Não pensei nisso. Quem decide é o tribunal (...) Não existe no Brasil legislação que diz se pode ou se não pode e nem jurisprudência. A jurisprudência que existe não se aplica ao meu caso, porque já estou em outro cargo não mais em uma prefeitura. A meu ver apenas TRE e o TSE poderão decidir. Seria um caso único no Brasil”, explica.

Sonho de ser senadora

Na entrevista, Simone reiterou seu sonho de concorrer ao Senado em 2014 e acrescentou não ter interesse em disputar o governo do Estado.

“Quero terminar o mandato que meu pai não terminou. É uma questão pessoal, de foro íntimo e emocional. Eu ia parar como prefeita de Três Lagoas. Iria voltar a dar aulas e advogar. Como não parei, meu único projeto é ser pré-candidata ao Senado. Se eu não for candidata ao Senado, nem pelo governo do Estado vou brigar. O governador será o candidato [ao Senado]. Eu assumo 10 meses o governo e apoio o prefeito da Capital ao governo. Ele é meu pré-candidato ao governo do Estado”, explicou.

“Na política não faz só o que quer, mas o que deve. O governador é uma pessoa que eu acredito, sendo assim pode me pedir o que quiser”, concluiu.

Teste nas ruas

Amanhã, Simone fará o primeiro teste de popularidade em Três Lagoas. Ela e o governador cumprem agenda de compromissos na cidade.

No evento de hoje, o governador se mostrou confiante de que a receptividade será boa. “Não é porque transferiu o título que deixa de ter competência. Quem quer ser senador ou governador tem que transferir o título”, disse.

O próprio governador o fez o quando o mudou o domicílio eleitoral de Fátima do Sul para Campo Grande. “Simone me deu uma canseira danada. Mas, Três Lagoas verá que este pedido tem endereço certo, é um cargo majoritário”, assegurou.

Simone não é a única liderança cotada para concorrer à prefeitura que transferiu o título eleitoral. Antes dela, o deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB) que foi prefeito de Maracaju por duas vezes já tinha feito o mesmo.

Porém,a transferência ocorreu com discrição e poucas manifestações por parte da imprensa, diferente do que ocorre com Simone. “Eu achei até que o farfé seria maior”, brincou o governador sobre a repercussão do fato na imprensa.

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André Puccinelli defendeu mudança eleitoral de Simone: "tem endereço certo é cargo majoritário"
Foto: Deurico/Capital News

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