Após as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança, nas quais mencionou a invasão do território brasileiro por tropas paraguaias no século XIX, o governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção para entregar uma nota oficial relacionada às falas do presidente brasileiro.
Na diplomacia, a convocação de um embaixador costuma ser interpretada como um sinal de insatisfação ou preocupação de um país em relação a outro. A crise diplomática teve início após um discurso de Lula realizado no dia 24 de julho, em Jacareí (SP), quando o presidente utilizou o episódio histórico para defender investimentos na área da Defesa.
Governo do Paraguai
O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, durante coletiva de imprensa
Em entrevista coletiva, o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, afirmou que o governo defenderá a "dignidade" e os interesses do Paraguai. Segundo ele, os presidentes Santiago Peña e Luiz Inácio Lula da Silva também conversaram por telefone sobre o assunto.
O ministro das Relações Exteriores do Paraguai afirmou ainda que o governo compartilha o sentimento da população paraguaia diante de um episódio considerado "tão sensível" da história do país.
"A dignidade do Paraguai não é negociável. Quero que saibam que, sob a liderança do presidente Santiago Peña, abordamos esta questão ao mais alto nível desde o início", declarou Ramírez Lezcano.
Governo paraguaio emitiu nota de repúdio
Na última quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados do Paraguai divulgou uma declaração oficial em repúdio às declarações de Lula. Segundo o documento, as falas do presidente brasileiro "distorcem e minimizam" a dimensão histórica da Guerra da Tríplice Aliança.
Em nota, o Parlamento paraguaio afirmou que Lula "desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio" e as consequências provocadas pela guerra.
Durante o discurso em Jacareí, Lula afirmou que o Brasil é um país pacífico, mas relembrou o conflito ocorrido entre 1864 e 1870.
"A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos", declarou o presidente.
A Câmara dos Deputados do Paraguai afirmou que, ao atribuir a responsabilidade pelo início do conflito ao país vizinho, o presidente brasileiro provocou rejeição em diversos setores da sociedade paraguaia.
A história da Guerra da Tríplice Aliança
A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, foi o maior conflito armado da história da América do Sul e deixou centenas de milhares de mortos ao longo de quase seis anos de combates.
O conflito teve início em 1864, em meio a uma série de disputas políticas e militares na região do Prata. O estopim foi a intervenção militar do Império do Brasil no Uruguai, que levou o então presidente paraguaio, Francisco Solano López, a declarar guerra ao Brasil.
Em seguida, tropas paraguaias invadiram territórios brasileiros na região que atualmente corresponde ao Mato Grosso do Sul e avançaram sobre áreas da Argentina. Em resposta, Brasil, Argentina e Uruguai firmaram a Tríplice Aliança, em 1865, para combater o Paraguai.
Ao final da guerra, em 1870, o Paraguai perdeu parte de seu território, teve sua infraestrutura devastada e sofreu uma grave crise demográfica e econômica. O conflito terminou após a morte de Francisco Solano López, deixando consequências históricas que permanecem objeto de debates e estudos até os dias atuais.
• • • • •
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.
• • • • •
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado.


