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Política

Declaração de Lula sobre Guerra da Tríplice Aliança provoca crise diplomática com o Paraguai

Parlamentares paraguaios acusam presidente brasileiro de simplificar o contexto histórico do conflito

João Gabriel Vilalba
Capital News

Ricardo Stuckert/PR

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança provocaram forte reação política no Paraguai. Parlamentares do país vizinho divulgaram uma nota oficial em repúdio às falas do chefe do Executivo brasileiro, afirmando que elas distorcem e simplificam o contexto histórico do conflito ocorrido entre 1864 e 1870.

Lula mencionou a guerra ao defender investimentos na área da Defesa durante um evento realizado no dia 24 de julho, no município de Jacareí (SP).

"A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos", declarou o presidente.

As declarações repercutiram imediatamente no Paraguai. A Câmara dos Deputados do país divulgou um comunicado oficial manifestando repúdio às falas do presidente brasileiro sobre a Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, considerada o maior conflito armado da história da América do Sul.

Segundo o documento, ao atribuir a responsabilidade pelo início da guerra exclusivamente ao Paraguai, Lula provocou reações negativas em diferentes setores da sociedade paraguaia.

Em nota, o Parlamento do país vizinho afirmou que o presidente brasileiro "desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio" e as consequências históricas decorrentes da guerra.

"A Câmara insta que os acontecimentos históricos que marcaram profundamente os nossos povos sejam abordados com sensibilidade, respeito e responsabilidade, e com um espírito de reconciliação, honrando a verdade, a memória das vítimas e os princípios do direito internacional contemporâneo", diz trecho do comunicado.

Guerra da Tríplice Aliança

A Guerra da Tríplice Aliança teve início em 1864, em meio às tensões políticas e militares envolvendo Brasil, Uruguai e Paraguai. O estopim do conflito foi a intervenção militar brasileira no Uruguai, fato que levou o então presidente paraguaio, Francisco Solano López, a declarar guerra ao Império do Brasil.

Posteriormente, as tropas paraguaias invadiram territórios brasileiros e argentinos, levando Brasil, Argentina e Uruguai a firmarem a Tríplice Aliança em 1865 para combater o Paraguai.

O conflito se estendeu até 1870 e resultou em graves consequências para o Paraguai, que perdeu parte de seu território, sofreu a destruição de grande parte de sua infraestrutura e enfrentou uma profunda crise demográfica e econômica.

A guerra chegou ao fim com a morte de Francisco Solano López, deixando impactos históricos que ainda são objeto de estudos e debates entre historiadores dos países envolvidos.

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