A sequência de casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul acenderam um alerta entre os deputados da Assembleia Legislativa. Até o momento, o Estado registra 11 feminicídios em 2026, segundo dados do Monitor da Violência Contra a Mulher. Mais uma vez, parlamentares lamentaram as mortes e defenderam mudanças culturais e o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres.
A primeira a se pronunciar sobre o tema foi a deputada estadual Mara Caseiro, que comentou o assassinato ocorrido em Eldorado, município onde já foi prefeita. No caso, uma mulher foi morta em frente à filha de 9 anos.
“Vejam em três dias o que ocorreu em nosso Estado. Isso considerando apenas os casos denunciados, sem contar os subnotificados. Meu Deus, como podemos dar mais valor aos bens materiais do que à vida? A mulher foi morta ao pedir a partilha dos bens. Ela estava com medida protetiva”, afirmou.
A parlamentar sugeriu ainda que, além das medidas judiciais, seja ampliado o acompanhamento psicológico dos agressores. Segundo ela, é preciso endurecer as penas, mas também investir em conscientização para romper ciclos de violência.
“Acabaram com a vida da mulher, do pai, da mãe, do filho. Precisamos formar uma nova geração que pense diferente. A mulher tem o direito de decidir sobre a própria vida, de recomeçar e de viver com dignidade. A mulher não é objeto. É uma vida”, ressaltou.
O deputado estadual Lídio Lopes concordou com as declarações e defendeu mais rigidez no cumprimento das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
“A violência está cada vez mais preocupante. A morte da Vera, pessoa dedicada e conhecida em Iguatemi, nos comoveu. Precisamos criar meios para dificultar esses crimes e ampliar a orientação às mulheres”, declarou.
Já a deputada estadual Lia Nogueira afirmou que somente a rede de proteção não basta e que é necessário investir em educação e prevenção.
“A gente vai continuar falando desse problema. Precisamos de rede de proteção, políticas públicas e ferramentas eficazes. Se não tivéssemos leis específicas, o cenário seria ainda mais desolador. Também precisamos educar nossas crianças para que tenham outro olhar sobre respeito e convivência”, destacou.
Casos recentes
No dia 12 de abril, a servidora pública Vera Lucia da Silva foi assassinada pelo ex-companheiro em Eldorado, na frente da filha de 9 anos. Após o crime, o autor tirou a própria vida.
No dia 13 de abril, a arquiteta Ely da Silva Quevedo, de 53 anos, morreu ao cair de uma caminhonete após uma briga com o marido, em Campo Grande. O caso é investigado como feminicídio.
No mesmo dia, também em Campo Grande, um subtenente aposentado da Polícia Militar atirou contra a esposa, que conseguiu fugir, e depois tentou tirar a própria vida. Ele permanece internado, e a identidade da mulher foi preservada.
Como denunciar
Em casos de flagrante, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Também é possível buscar apoio e orientação pelo Disque 180, canal nacional de atendimento à mulher.
Em Campo Grande, o atendimento 24 horas é realizado na Casa da Mulher Brasileira. No interior, as vítimas podem procurar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
• • • • •
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.
• • • • •
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado.


